domingo, 1 de maio de 2016

Táxi



O mundo girava e as paredes pareciam estar se aproximando, se fechando, diminuindo o espaço do salão da boate. As mesmas paredes pareciam estar apertando o coração, sufocando-o. Essa foi a sensação que ela teve no momento em que viu eles dois juntos. Virou de costas na mesma hora, pois não queria ver aquilo, mas não adiantou. Era como se ela tivesse olhos na parte de trás da cabeça, porque o tempo inteiro em sua mente havia uma imagem nítida de clara de um beijo acontecendo, um beijo que ela nem se quer chegou a ver de verdade. Ainda bem que não!

Ela não esperava reagir dessa maneira, sabe? Quando seu melhor amigo a chamou pra aquela festa ela ficou receosa, é verdade. Sabia que sua antiga paixão estaria presente com a nova crush dele, e teve medo de como reagiria ao vê-los juntos. Mas então ela refletiu e chegou à conclusão de que poderia sim não se importar tanto, afinal, não seria uma surpresa - ela já sabia que eles estavam juntos, e até que estava lidando bem com essa informação. Então decidiu ir, na esperança de não ser atingida, de voltar para casa inteira. Mero engano, boba.

Ela não voltou pra casa inteira. Ver os dois entrarem juntos no mesmo táxi na hora de ir embora foi equivalente a levar um tiro. O coração dela parou de bater, de tão apertado que ficou. Lembrou de quando ela mesma entrou com ele num táxi. Lembrou de onde eles foram. O que eles fizeram. A lágrima começou a chegar na extremidade do olho e ameaçar se jogar precipício abaixo. Mas ela precisou segurá-la. Ao invés disso, teve que sorrir e acenar um "tchau", afinal, passou a noite inteira conversando com eles dois, como se fossem grandes amigos, como se estivesse tudo bem, como se aquilo não fosse estranho. Como se ela não estivesse machucada.

Chegou em casa, correu pra cama, se deitou e pensou "agora sim eu posso chorar". Ficou esperando. Nenhuma lágrima apareceu. Ela então adormeceu e sonhou com ele. Com toques, carinhos. Alguns vilões queriam pegá-la e ele a pôs dentro de seus braços e disse "não se preocupe, vou te proteger". Ela estava feliz. E ai acordou e lembrou que naquele momento era a outra que estava sendo protegida pelos braços do seu amado. Uma única lágrima escorreu de seu olho e ela pensou "até quando vou ficar sofrendo por você?". Virou-se na cama e tentou voltar a dormir, colocando na cabeça que foi uma noite difícil sim, mas um passo importante. Que a partir dali seria bem mais fácil finalmente esquecê-lo e seguir em frente. Afinal, dores precisam ser sentidas para que nossas feridas mais profundas cicatrizem, não é mesmo?

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você gostou do post, comenta! Vou adorar saber o que você achou.
Assim que puder responderei seu comentário, e se você deixar o link do seu blog irei retribuir a visita. Obrigada, e volte sempre!

Beijos, Anna