sábado, 28 de novembro de 2015

Ponto final



Eu te quero. Você me quer. Nós não queremos nos querer.
- O que você acha?
- O "a gente" é mais complicado que essa lógica - te respondo.
- Já sabemos que somos incompatíveis, - você diz - e isso só traria mais merda a algo que já não está lá essas coisas.
- Sim. - Eu concordo.
- Nós zelamos por algo. Escolhemos algo. Ponto final.
Mais uma vez digo que você tem razão; nossa amizade é muito importante para ser colocada em risco dessa forma. Entretanto, sinto meu peito inflar a ponto de querer explodir. "E DAÍ?" Meu coração grita. "VOCÊS SE QUEREM! PAREM DE PENSAR TANTO E SE ENTREGUEM A ESSE SENTIMENTO!".
Olho para o seu sorriso, lindo, iluminando minha face na luz fraca que atingia o quarto, pois o sol já havia se posto. A tarde inteira passou sem que percebêssemos, enquanto conversávamos sobre os causos das nossas vidas, sofrimentos meus e sofrimentos seus. Meus dedos brincam com mechas do seu cabelo, e por alguns segundos penso que talvez não exista problema em ceder a esses sentimentos, até que você fala coisas que me fazem retrair.
- Você não presta. Não vale nada.
Suas palavras me atingem; sei que você tem razão. Não que eu me ponha numa posição tão ruim e maldosa assim, como você me enxerga. Eu não sou assim. Porém, entendo porque você me vê dessa forma. Fiz merda com você e tenho consciência disso. Te machuquei. Sou perigosa para o seu coração. Você não deveria me querer, e eu, com pesar na consciência, decido não te querer para não te machucar mais.
- Você não merece alguém tão fodida como eu - te respondo -.  Você merece alguém que esteja inteira para você. Eu estou pela metade.
Te disse isso várias vezes, em vários momentos diferentes. E em todos eles fui sincera. Eu queria ter estado inteira para você, mas não estava. Enquanto você sentia-se pronta para se entregar, eu ainda buscava os pedaços de mim que caíram no chão quando meu coração foi destruído por outra pessoa.
Nunca tive um relacionamento assim, tão turbulento (se é que podemos chamar de relacionamento o que aconteceu entre a gente). Por mais que eu não gostasse, e muitas vezes me irritasse, esse seu lado explosivo também me atraía, levantava em mim uma pontinha de curiosidade sobre como seria um "nós". Talvez fossemos parecidas com os casais das novelas mexicanas que eu tanto gosto. Seria o nosso próprio drama mexicano, e você era minha Drama Queen. Eu abria um sorriso sempre que dizia isso. Não gostava dessa confusão em que você me metia, mas ao mesmo tempo queria mais e mais disso.
"Nós zelamos por algo. Escolhemos algo. Ponto final." Essas suas palavras não saíram da minha cabeça ainda. É isso. Ponto final.
O engraçado é que eu já perdi as contas de quantas vezes nós dissemos "ponto final" uma à outra. Sabe quantos pontos finais eu já coloquei nesse texto? Nem sempre um ponto final significa o final da história. Às vezes a gente até tem a intenção de terminar por ali, mas logo depois que colocamos o ponto, vem a vontade de escrever mais alguma coisa. Da mesma forma é a vida. Cheia de pontos finais, vírgulas, exclamações e interrogações. Sei que esse ponto final não é o encerramento da nossa história; e também não estou curiosa para saber como ela vai acabar. Prefiro apenas deixar acontecer.

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