terça-feira, 17 de março de 2015

Aquela sintonia perfeita de nós dois


Talvez seja verdade o que dizem sobre os efeitos do amor em um escritor. Se está tudo bem você espreme e não sai uma palavra sequer. No entanto, se está tudo mal, as frases vão se formando involuntariamente na sua cabeça, e por mais que você se recuse a escrever mais um texto sobre essa pessoa, as palavras não te deixam descansar em paz enquanto não forem libertadas. Elas exigem do seu coração uma espécie de Lei Áurea da Língua Portuguesa. Pois bem, queridas palavras que há pouco eram só sentimentos, sede livres.

Eu achei que não me importava mais com você, achei que já estava curada. Nem sentia o coração apertar. Pra falar a verdade, ainda não sinto. Ele está anestesiado desde aquele 22 de dezembro. Talvez ele tenha se recusado a me ver nesta situação deplorável e tenha simplesmente ido embora com você, bem naquele momento em que eu ia pedir desculpa e você me deixou falando sozinha. Desde então não sou mais capaz de sentir nada, além do vazio que você deixou. Sei nem se ainda te amo, só sei que não consegui te esquecer. E só descobri o quanto sinto tua falta quando eu estava deitada nos braços de outro. Daquele mesmo jeito que costumávamos ficar, por horas, assistindo How I Met Your Mother. Sei que não preciso dizer o quanto eu amava aquilo, pois você sabe muito bem do que eu tô falando.

No início eu tava animada, sabe? Aquele friozinho na barriga de estar fazendo algo inédito é delicioso. Mas depois ficou chato, porque não senti aquela sintonia que nós tínhamos. Eu achava que entendia de homens, mas descobri que não. Entendo mesmo é de nós dois. Entendo o que os seus olhares querem dizer, entendo o seu sorriso e até aquela expressão que você faz quando está entediado mas finge estar interessado. E entendia melhor a mim mesma quando estava com você. Talvez porque com você eu podia ser eu, não precisava ter vergonha do meu corpo ou dos meus hábitos. E se por ventura algo desse errado, eu entenderia também. Não ficaria insegura, fantasiando que a culpa é minha porque não sou boa o suficiente.

Comecei esse texto achando que iria escrever sobre como ele fez eu me sentir ontem, mas não. Falei apenas sobre você. E parece que é assim que as coisas vão ser daqui pra frente, eu comparando cada novo pretendente a você, nunca estando satisfeita, até encontrar em alguém aquela sintonia perfeita de nós dois. Minha nova utopia.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Você, eu e as lembranças

Lembro-me da nossa juventude como se tivesse sido ontem. Éramos tão felizes e cheios de vida. Eu gostava de aparentar ser uma mulher madura, mas sempre que estava perto de você alguma coisa ativava aquela adolescente louca por experiências que existia dentro de mim. E aquele dia foi um deles. Aquele dia onde nos arriscamos por apenas algumas horas de prazer. Os hormônios estavam à flor da pele. Minha pele. Sua pele. Aquele lençol que nunca saiu da minha memória.

Mas o melhor daquele dia não foi essa loucura que fizemos juntos. Foi o sentimento que ficou em mim depois que você foi embora. Aquele misto de tristeza e felicidade. Porque vivemos um momento lindo e porque você teve que ir embora, bem no momento que eu mais queria sentir seus braços rodeando meu corpo. É confuso, eu sei. Mas eu amo essa confusão de sentimentos. Alguma vez te falei como eu me sentia segura quando estava nos seus braços?

Eu chorei naquele dia depois que você foi embora. Chorar faz bem. Quando é de alegria nos transforma, e quando é de tristeza nos liberta. E eu chorei pelas duas coisas com você. Aquele frio na barriga de quem ama e ao mesmo tempo aquele aperto no coração de quem sofre. Era uma delícia sentir aquilo. Sinceramente, eu preferia que você me provocasse estes sentimentos confusos do que não me provocasse sentimento algum.

A verdade é que eu sinto falta daquele tempo, da nossa juventude, das nossas loucuras, dos nossos beijos... de nós dois. É, você me faz falta. Às vezes nos dias de chuva eu me pego pensando em você. Naquele seu sorriso de quando me via chegar. No seu cheiro. Nas suas mãos segurando as minhas. Logo quando terminamos essas lembranças me doíam, mas hoje elas não me fazem mais chorar. Apenas me arrancam sorrisos bobos em meio aos meus devaneios.

Você pode querer me perguntar, se eu tivesse a chance de voltar atrás faria alguma coisa diferente? Faria sim. Teria vivido mais loucuras com você. Teria aceitado aquela proposta indecente que você me fez. Mas, no final, teria me despedido do mesmo jeito. Nós dois tínhamos uma sintonia, e era gostoso estar com você. Mas não ia dar certo. Confesse, você também sabia disso. Algumas lembranças são tão boas que nós preferimos mantê-las só como lembranças. Tentar vive-las novamente é abrir-se ao risco de estragá-las. Tudo aquilo que vivemos juntos ficou lá atrás, na minha juventude. Hoje não teria mais sentido. Nosso amor morreria de qualquer maneira. Então prefiro que ele tenha morrido em seus dias de glória, melhor assim do que se ficasse se ultimando na UTI da vida. Assim sofremos menos. Assim as lembranças guardadas não se tornam um peso. Gosto de lembranças boas, e gosto que você seja uma delas.