terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Carta à cidade que me enamorou


Querida Recife,

Hoje faz três anos que estamos juntas. Dá pra acreditar? Foram três anos bem difíceis nesse relacionamento de altos e baixos, não vou mentir. Um início um tanto quanto doloroso, em que a saudade me matava; eu me arrastava, dia após dia, segurando as lágrimas. Rezando para que tudo aquilo acabasse rápido e eu pudesse voltar. Pro meu interior, pra minha família, pros meus amigos, pra minha cachorra... pro lugar que eu podia chamar de meu lar. Cheguei perto de entrar em depressão nessa época - meu terapeuta não me deixa mentir!

Ah, Recife! Eu detestava tudo em você: o calor que me fazia acordar de madrugada passando mal; o trânsito que me fazia demorar 1h30min pra chegar em casa (num trecho que geralmente é feito em 15 minutos); as pessoas que não faziam eu me sentir acolhida; o medo constante de ser assaltada a qualquer momento. Eu detestava que a vida me forçasse a morar nessa "cidade terrível". Não que hoje eu não deteste tudo isso, detesto sim. É só que... não sei, mas acho que agora eu consigo enxergar de uma forma diferente.

Ao longo do tempo você me cativou, Recife. Foi me ganhando aos poucos, a cada passeio que eu fazia e ficava encantada pelas ruas do Antigo; a cada pessoa que me sorria, me abraçava e fazia eu me sentir bem nessa cidade gigante e solitária; a cada nova experiência que eu ia vivendo, que me faziam amadurecer. Foi no carnaval que eu me dei conta de que estava apaixonada por você. Ah, o carnaval! sua música, suas cores, sua energia, sua alegria, sua cultura. Agora minha cultura também. Coisas pequenas, bonitas, verdadeiras, que foram se acumulando e me fazendo enxergar a cidade com outros olhos, enxergar a vida aqui com mais leveza. Sim, Recife, aprendi a gostar de você. Não foi fácil, sabe? Sofri muito. Tenho muitas lembranças difíceis e que apertam o coração. Mas tenho muitas lembranças boas também, que levarei pro resto da vida.

Obrigada, querida Recife, por tantas experiências, tantas aprendizagens, tantas belezas, tantas alegrias. Obrigada por me possibilitar viver meu sonho de criar novos sonhos. Me sinto feliz em saber que hoje eu finalmente tenho um bom relacionamento com você, me sinto bem estando aqui (mesmo que a saudade do interior e das minhas pessoas ainda aperte). Sei que você fica triste quando digo que não tenho a intenção de viver aqui pro resto da minha vida, mas sei também que você me entende. Meus sonhos são grandes demais para que eu me prenda a você. Espero apenas que, nesses próximos anos de relacionamento, possamos continuar a proporcionar boas experiências uma à outra.

Com amor,
Anna

sábado, 28 de novembro de 2015

Ponto final



Eu te quero. Você me quer. Nós não queremos nos querer.
- O que você acha?
- O "a gente" é mais complicado que essa lógica - te respondo.
- Já sabemos que somos incompatíveis, - você diz - e isso só traria mais merda a algo que já não está lá essas coisas.
- Sim. - Eu concordo.
- Nós zelamos por algo. Escolhemos algo. Ponto final.
Mais uma vez digo que você tem razão; nossa amizade é muito importante para ser colocada em risco dessa forma. Entretanto, sinto meu peito inflar a ponto de querer explodir. "E DAÍ?" Meu coração grita. "VOCÊS SE QUEREM! PAREM DE PENSAR TANTO E SE ENTREGUEM A ESSE SENTIMENTO!".
Olho para o seu sorriso, lindo, iluminando minha face na luz fraca que atingia o quarto, pois o sol já havia se posto. A tarde inteira passou sem que percebêssemos, enquanto conversávamos sobre os causos das nossas vidas, sofrimentos meus e sofrimentos seus. Meus dedos brincam com mechas do seu cabelo, e por alguns segundos penso que talvez não exista problema em ceder a esses sentimentos, até que você fala coisas que me fazem retrair.
- Você não presta. Não vale nada.
Suas palavras me atingem; sei que você tem razão. Não que eu me ponha numa posição tão ruim e maldosa assim, como você me enxerga. Eu não sou assim. Porém, entendo porque você me vê dessa forma. Fiz merda com você e tenho consciência disso. Te machuquei. Sou perigosa para o seu coração. Você não deveria me querer, e eu, com pesar na consciência, decido não te querer para não te machucar mais.
- Você não merece alguém tão fodida como eu - te respondo -.  Você merece alguém que esteja inteira para você. Eu estou pela metade.
Te disse isso várias vezes, em vários momentos diferentes. E em todos eles fui sincera. Eu queria ter estado inteira para você, mas não estava. Enquanto você sentia-se pronta para se entregar, eu ainda buscava os pedaços de mim que caíram no chão quando meu coração foi destruído por outra pessoa.
Nunca tive um relacionamento assim, tão turbulento (se é que podemos chamar de relacionamento o que aconteceu entre a gente). Por mais que eu não gostasse, e muitas vezes me irritasse, esse seu lado explosivo também me atraía, levantava em mim uma pontinha de curiosidade sobre como seria um "nós". Talvez fossemos parecidas com os casais das novelas mexicanas que eu tanto gosto. Seria o nosso próprio drama mexicano, e você era minha Drama Queen. Eu abria um sorriso sempre que dizia isso. Não gostava dessa confusão em que você me metia, mas ao mesmo tempo queria mais e mais disso.
"Nós zelamos por algo. Escolhemos algo. Ponto final." Essas suas palavras não saíram da minha cabeça ainda. É isso. Ponto final.
O engraçado é que eu já perdi as contas de quantas vezes nós dissemos "ponto final" uma à outra. Sabe quantos pontos finais eu já coloquei nesse texto? Nem sempre um ponto final significa o final da história. Às vezes a gente até tem a intenção de terminar por ali, mas logo depois que colocamos o ponto, vem a vontade de escrever mais alguma coisa. Da mesma forma é a vida. Cheia de pontos finais, vírgulas, exclamações e interrogações. Sei que esse ponto final não é o encerramento da nossa história; e também não estou curiosa para saber como ela vai acabar. Prefiro apenas deixar acontecer.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Talvez não importe mais


Aquele era o último dia dela com 20 anos. Em poucas horas o relógio iria marcar 00:00 e ela teria 21. Como sempre fez, todos os anos, ficou rebobinando sua vida, desde seu último aniversário até ali. Ela gostava de fazer um balanço de tudo o que havia acontecido, fosse bom ou fosse ruim, durante aquela idade específica. Gostava de perceber o quando havia amadurecido, e o quando aquela pessoa que ela olhava no espelho era diferente da pessoa que ela lembrava ser 365 dias atrás.

Ela lembrou de como sentiu uma responsabilidade enorme nas costas quando completou 20 anos. "Segunda década de vida inaugurada! Agora não estou mais na casa dos teens, preciso começar a deixar a adolescência de lado e me tornar uma mulher adulta!" Ela achou graça dessa lembrança, pois na época ela estava meio apavorada com a ideia de se tornar uma adulta, e agora as coisas pareciam tão naturais. Três meses antes ela estava observando um grupo de adolescentes interagir e não conseguia se ver como parte daquilo. Pela primeira vez percebeu que não era mais uma adolescente, e não foi nada aterrorizante. Ela não ficou triste em perceber que agora achava chato as brincadeiras bobas que os adolescentes faziam, mesmo lembrando que há pouco tempo gostava bastante. No final das contas, amadurecer nem é tão difícil assim. E tornar-se adulto não parecia ser coisa de outro mundo como ela imaginava.

Mas alguma coisa ainda estava incomodando. Ela não sabia bem o quê, mas sentia um aperto no coração sempre que lembrava que em poucas horas faria 21 anos. E não, não era medo de envelhecer e assumir responsabilidades da vida adulta; quanto a isto ela estava bem tranquila. E então, vasculhando a memória por mais cenas dos seus aniversários anteriores, ela lembrou. E finalmente entendeu o que era que tanto a incomodava. O que era que, na verdade, a machucava sem ela nem perceber. Sentiu o coração apertar, e deixou as lágrimas escorrerem, pela primeira vez em meses.
Aparentemente, não importava o quanto ela se esforçou para prender esse sentimento, para juntar os pedaços do coração partido. Não importava quantas vezes ela mentiu para si mesma que estava bem, também não importava que em algum momento ela começou a acreditar que realmente estava bem. Não importava o quanto ela se sentia mais madura depois de tudo o que aconteceu, e o quando ela havia lutado para conseguir dizer "eu já superei", como havia dito duas semanas antes ao seu terapeuta. No final das contas, nada disso importava, pois ela percebeu que seu coração ainda doía (ei! que surpresa, você ainda é capaz de doer!), e que bem lá no fundo, escondido num porão escuro e frio, estava aquele único desejo que ela iria fazer quando apagasse as velas, e sabia que as possibilidades de se realizarem eram mínimas. Porque não importava quantas vezes ela acreditou que realmente estava seguindo em frente; lá no fundo, tudo o que ela queria era receber uma ligação dele de feliz aniversário.

Não, essa ligação não iria acontecer. E ela sentia que o aniversário não seria feliz. Mas enxugou as lágrimas e disse a si mesma que não ia desistir. Talvez no de 22 tudo isso não importe mais.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Liberdade condicional


Esta semana cheguei bem perto de te perder. Senti meu coração ficar em pedacinhos, e depois se recompor quando ouvi tua voz ao telefone dizendo que não pode viver se mim. Desde então o meu modo de enxergar o mundo mudou. Percebo melhor as coisas, aquelas pequenas que às vezes nos passam despercebidas. Parece que o teu toque foi amplificado na minha pele, deixando uma leve corrente elétrica pulsando por todo o meu corpo a cada contato, fazendo com que eu tenha cada vez mais necessidade dos teus beijos e carícias. Cada vez mais necessidade de ti.

Tento não me render a isto, tento preservar o pouco de amor próprio que me resta, mas é tão difícil quando seus olhos me capturam, me sequestram. Dizem que tenho os olhos de ressaca de Capitu, porém são os teus olhos que fazem eu me tornar prisioneira. E eu me declaro culpada do crime de te amar de mais. Aceito a pena que o jure me der, e confesso que meus dedos estão cruzados, na esperança de que seja perpétua. Não quero provar nunca mais dessa tal de liberdade condicional.

(texto escrito em 2013)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Noviembre sin ti




La tarde se aleja, 
el cielo esta gris, 
la noche aparece sin ti, 
callado en la playa 
te lloro en silencio otra vez, 
me ahoga esta pena no puedo vivir 
las olas no me hablan de ti, 
sentado en la arena 
escribo tu nombre otra vez, 
por que te extraño 
desde aquel noviembre 
cuando soñamos juntos 
a querernos siempre, 
me duele 
este frío noviembre 
cuando las hojas caen 
a morir por siempre 

Noviembre sin ti es sentir que la lluvia 
me dice llorando que todo acabó,
noviembre sin ti es pedirle a la luna 
que brille en la noche de mi corazón otra vez, otra vez

Quisiera decirte 
que quiero volver 
tu nombre va escrito en mi piel 
ya es de madrugada 
te sigo esperando otra vez 
por que te extraño 
desde aquel noviembre 
cuando soñamos juntos 
a querernos siempre, 
me duele 
este frío noviembre 
cuando las hojas caen a morir por siempre

Noviembre sin ti es sentir que la lluvia 
me dice llorando que todo acabó, 
noviembre sin ti es pedirle a la luna 
que brille en la noche de mi corazón otra vez, otra vez

Reik - Noviembre Sin Ti

domingo, 10 de maio de 2015

Na fila de espera de um consultório qualquer


Tic tac, tic tac. O tempo passa e eu ainda estou sentada aqui, esperando. Irritante que logo hoje esqueci o fone de ouvido em casa, e a bolsa estava tão pesada que acabei não trazendo nenhum livro pra me tirar do tédio. Tic tac, tic tac. O ponteiro é cruel, se move lentamente. Parece que a cada minuto que passa eu vou ficando mais longe de ser chamada. Me distraio olhando os detalhes do papel de parede. Queria um parecido no meu quarto. E, por alguns minutos, eu esqueço o lugar onde queria estar.
Olho para as pessoas que estão ao meu redor, também sentadas, esperando. Quando percebo, estou me perguntando sobre essa mulher na minha frente. Quem é ela? De onde ela vem? Qual sua história de vida? Por que ela está aqui hoje? Em que ela está pensando? Ou será que é em quem? Essas pessoas não me enganam, foleando revistas, olhando as imagens das páginas sem prestar atenção. Talvez esteja pensando em um amor. Um daqueles avassalador, que ela não consegue tirar da cabeça por um segundo se quer. E a cada minuto se pega pensando no cheiro daquela pessoa, nos olhos, no sorriso...
Não se sinta uma idiota por isso, estranha. Eu também penso a cada instante no sorriso de uma pessoa. A saudade é uma filha da puta, não é? Nos maltrata como se fôssemos crianças indefesas. Talvez sejamos. Eu mais do que você, que aparenta já ter passado dos 30. Mas, mesmo com essa enorme diferença de idade, o amor faz de nós duas menininhas bobas, não é? Daquelas que escrevem o nome do garoto no caderno de matemática, com um monte de coraçõezinhos em volta. Novamente, não se sinta idiota. Esse sentimento é bom, sabia? Amores avassaladores são sempre bons, até os que acabam mal. O importante é viver isso pelo menos uma vez na vida.
Acho que você percebeu que eu estava te observando, não foi estranha? Pois me olhou por cima dos óculos. Abaixei a cabeça e fingi prestar atenção no meu tênis por causa da minha estúpida timidez, mas o que eu queria fazer mesmo era sorrir e dizer olá, perguntar quem é você e descobrir qual a sua história, qual foi o seu amor avassalador. E, se o tempo de espera permitir, contar um pouquinho do meu também. Tic tac, tic tac. Ah, o ponteiro é mesmo cruel!

- Senhora Anna? A doutora lhe aguarda na sala 02.

terça-feira, 17 de março de 2015

Aquela sintonia perfeita de nós dois


Talvez seja verdade o que dizem sobre os efeitos do amor em um escritor. Se está tudo bem você espreme e não sai uma palavra sequer. No entanto, se está tudo mal, as frases vão se formando involuntariamente na sua cabeça, e por mais que você se recuse a escrever mais um texto sobre essa pessoa, as palavras não te deixam descansar em paz enquanto não forem libertadas. Elas exigem do seu coração uma espécie de Lei Áurea da Língua Portuguesa. Pois bem, queridas palavras que há pouco eram só sentimentos, sede livres.

Eu achei que não me importava mais com você, achei que já estava curada. Nem sentia o coração apertar. Pra falar a verdade, ainda não sinto. Ele está anestesiado desde aquele 22 de dezembro. Talvez ele tenha se recusado a me ver nesta situação deplorável e tenha simplesmente ido embora com você, bem naquele momento em que eu ia pedir desculpa e você me deixou falando sozinha. Desde então não sou mais capaz de sentir nada, além do vazio que você deixou. Sei nem se ainda te amo, só sei que não consegui te esquecer. E só descobri o quanto sinto tua falta quando eu estava deitada nos braços de outro. Daquele mesmo jeito que costumávamos ficar, por horas, assistindo How I Met Your Mother. Sei que não preciso dizer o quanto eu amava aquilo, pois você sabe muito bem do que eu tô falando.

No início eu tava animada, sabe? Aquele friozinho na barriga de estar fazendo algo inédito é delicioso. Mas depois ficou chato, porque não senti aquela sintonia que nós tínhamos. Eu achava que entendia de homens, mas descobri que não. Entendo mesmo é de nós dois. Entendo o que os seus olhares querem dizer, entendo o seu sorriso e até aquela expressão que você faz quando está entediado mas finge estar interessado. E entendia melhor a mim mesma quando estava com você. Talvez porque com você eu podia ser eu, não precisava ter vergonha do meu corpo ou dos meus hábitos. E se por ventura algo desse errado, eu entenderia também. Não ficaria insegura, fantasiando que a culpa é minha porque não sou boa o suficiente.

Comecei esse texto achando que iria escrever sobre como ele fez eu me sentir ontem, mas não. Falei apenas sobre você. E parece que é assim que as coisas vão ser daqui pra frente, eu comparando cada novo pretendente a você, nunca estando satisfeita, até encontrar em alguém aquela sintonia perfeita de nós dois. Minha nova utopia.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Você, eu e as lembranças

Lembro-me da nossa juventude como se tivesse sido ontem. Éramos tão felizes e cheios de vida. Eu gostava de aparentar ser uma mulher madura, mas sempre que estava perto de você alguma coisa ativava aquela adolescente louca por experiências que existia dentro de mim. E aquele dia foi um deles. Aquele dia onde nos arriscamos por apenas algumas horas de prazer. Os hormônios estavam à flor da pele. Minha pele. Sua pele. Aquele lençol que nunca saiu da minha memória.

Mas o melhor daquele dia não foi essa loucura que fizemos juntos. Foi o sentimento que ficou em mim depois que você foi embora. Aquele misto de tristeza e felicidade. Porque vivemos um momento lindo e porque você teve que ir embora, bem no momento que eu mais queria sentir seus braços rodeando meu corpo. É confuso, eu sei. Mas eu amo essa confusão de sentimentos. Alguma vez te falei como eu me sentia segura quando estava nos seus braços?

Eu chorei naquele dia depois que você foi embora. Chorar faz bem. Quando é de alegria nos transforma, e quando é de tristeza nos liberta. E eu chorei pelas duas coisas com você. Aquele frio na barriga de quem ama e ao mesmo tempo aquele aperto no coração de quem sofre. Era uma delícia sentir aquilo. Sinceramente, eu preferia que você me provocasse estes sentimentos confusos do que não me provocasse sentimento algum.

A verdade é que eu sinto falta daquele tempo, da nossa juventude, das nossas loucuras, dos nossos beijos... de nós dois. É, você me faz falta. Às vezes nos dias de chuva eu me pego pensando em você. Naquele seu sorriso de quando me via chegar. No seu cheiro. Nas suas mãos segurando as minhas. Logo quando terminamos essas lembranças me doíam, mas hoje elas não me fazem mais chorar. Apenas me arrancam sorrisos bobos em meio aos meus devaneios.

Você pode querer me perguntar, se eu tivesse a chance de voltar atrás faria alguma coisa diferente? Faria sim. Teria vivido mais loucuras com você. Teria aceitado aquela proposta indecente que você me fez. Mas, no final, teria me despedido do mesmo jeito. Nós dois tínhamos uma sintonia, e era gostoso estar com você. Mas não ia dar certo. Confesse, você também sabia disso. Algumas lembranças são tão boas que nós preferimos mantê-las só como lembranças. Tentar vive-las novamente é abrir-se ao risco de estragá-las. Tudo aquilo que vivemos juntos ficou lá atrás, na minha juventude. Hoje não teria mais sentido. Nosso amor morreria de qualquer maneira. Então prefiro que ele tenha morrido em seus dias de glória, melhor assim do que se ficasse se ultimando na UTI da vida. Assim sofremos menos. Assim as lembranças guardadas não se tornam um peso. Gosto de lembranças boas, e gosto que você seja uma delas.