quinta-feira, 27 de março de 2014

Tatuagens de Psicologia


Adoro ver posts de inspiração de tatuagens nos blogs. Acho muito lindo, e tenho até vontade de fazer algumas, o que não tenho é coragem. Sei lá, me imagino daqui a 50 anos com aquela mesma tatuagem, ai eu fico insegura sem saber se, por mais que eu goste dessa tatuagem hoje, eu gostarei que ela me acompanhe por toda minha vida.
Mas, apesar de eu não ter coragem de fazer uma em mim, sempre que vejo alguém com uma tatuagem fico babando. No meu curso já vi algumas pessoas com tatuagens referentes à psicologia e achei a ideia super legal. Resolvi então criar esse post, para inspirar aquelas pessoas que são tão apaixonadas pela psicologia, que gostariam de levá-la na pele para todos os lugares.







Os símbolos de Psicologia são as tatuagens mais comuns para quem é da área, e tenho que ser sincera, são as minhas preferidas também. Podemos tatuá-las em tamanhos grandes, que ganham mais visibilidade, ou pequenas, que são mais delicadas - e as minhas preferidas também. Lugares legais para tatuar este símbolo são o pulso, a nuca, atrás da orelha, o ombro, etc. E para dar um toque de originalidade, fica legal fazer o desenho com um traçado diferente, ou com flores como essa última, que pertence a uma colega minha do curso chamada Gislaine. Ficou super linda, feminina, criativa e original, eu adorei.


Outro tipo de tatuagem bem comum são as que estampam o rosto de Freud ou outros nomes da Psicologia na perna ou no braço. Eu, particularmente, não gosto muito de tatuagens com rostos, mas pra quem curte fica bem legal, né? E você pode fazer o rosto de Freud, Lacan, Skinner, Rogers...


A resolução desta imagem tá ruim, mas mesmo assim eu quis colocar porque achei a ideia super legal. Os filósofos da Psicologia costumam deixar em seus livros frases muito lindas e inspiradoras, que dariam ótimas tatuagens. Daí é só escolher alguma dos livros de Freud, uma fonte bem legal, e levar para o tatuador. Eu  com certeza faria com alguma frase do Fritz Perls.

Dentro da Psicologia o termo Resiliência significa a capacidade do indivíduo de lidar com problemas, resistir à pressão e superar obstáculos. Eu, particularmente, adorei o significado dessa tatuagem, e com uma fonte linda dessa fica super legal.


Outra tatuagem criativa e legal é com algum símbolo da Psicologia da Gestalt. Esse é um dos meus preferidos, e dá uma tatuagem bem interessante, e um ar misterioso que fará todos perguntarem o significado.


Das inspirações que eu achei, essa foi sem dúvidas a melhor de todas! Que tal fazer uma tatuagem com uma das pranchas de Rorschach? Ficou muito bonito, criativo, e tem um significado especial. Cada pessoa vai interpretar os desenhos de Rorschach de um jeito diferente, então isso pode significar que para cada pessoa, significa uma coisa diferente. Isso pode representar a individualidade e singularidade do sujeito.

E você, faria alguma dessas?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Lista de amores que deram errado




Era uma noite tediosa de domingo. Ela estava pegando carona com seu pai no carro de uns amigos dele. Estavam voltando do estádio de futebol, era final de campeonato e o time deles havia ganhado. Como se já não bastasse a tarde inteira disto, ainda estavam ouvindo comentários sobre o jogo na rádio e fazendo piadinhas. Se o time deles tivesse perdido com certeza a rádio estaria em outra estação, talvez tocando algo que a animasse. Ela revirou os olhos e colocou os fones de ouvido na esperança de fugir dali. Ente uma música e outra, começou a tocar aquela que era a preferida do cara por quem ela era apaixonada aos 13 anos de idade. Ele conseguiu, fez ela se viciar não só naquela banda como também naquela música. É tanto que ela está na playlist do seu celular há anos. E às vezes ela até consegue escutar sem se lembrar dele. Foi só mais um de seus amores que não deu certo.
E então, sem saber o porque, ela começou a pensar em todos os amores que ela teve no decorrer de sua vida e que deram errado. A lista era longa. Começava na alfabetização, quando aos 6 anos ela se apaixonou pelo seu par no baile de formatura. Ele tinha 10 anos, mas por incrível que pareça o amor era correspondido. Porém, eram muito novos para levar aquilo adiante. Ah, o primeiro amor, sempre tão lindo! Há alguns anos este mesmo garoto assumiu ser gay, e desde então ela passou a rir todas as vezes que lembrava de seu passado, e das vezes que o garoto a elogiou ou demonstrou corresponder àquele amor infantil.
O segundo da lista foi também seu primeiro namoradinho. Aconteceu aos 8 anos de idade, e ela nem se quer o beijava porque achava que era nojento encostar sua boca na de outra pessoa. Mas mesmo assim ele a mandava cartas com letras de músicas românticas, e eles andavam de mãos dadas no colégio. Era lindo. Entre idas e vindas esse amor durou quase um ano. Foi ai que ela se apaixonou pelo amigo mais velho da prima. Ela tinha 10 anos; ele, 14. Nem era uma diferença de idade tão grande assim, mas para aquela faixa etária parecia ser. Ela ainda era uma criança e gostava de fingir que era uma das três espiãs de mais, enquanto ele era um adolescente e só queria saber de paquerar as gatinhas do colégio. Nunca aconteceu nada entre eles, é claro, mas a prima mais velha acabou por ler o diário dela, descobrir e contar pra ele e todos os outros amigos mais velhos, que sempre que a viam ficavam soltando piadinhas. Era a situação mais vergonhosa que ela já tinha vivido. E isto durou dois anos, até que ela se apaixonou por um menino da escola.
Já estava na quinta série quando teve seu segundo namoradinho. Este também nunca ganhou um beijo dela, ainda estava no processo de achar nojento. Porém, deu a ela muitos presentinhos fofos, alguns brincos que ela ainda tem até hoje. Esse amor não demorou muito, em poucos meses eles brigaram e pararam de se falar. Até hoje ainda não se falam quando se topam nas ruas. O próximo da lista foi outro colega de sala. Ah, esse tem uma história engraçada. Quando ela o amava ele amava outra, e depois que ela o esqueceu foi que ele começou a correr atrás dela. E depois de muita insistência ela acabou ficando com ele. Ainda são muito amigos hoje e riem muito daquela época.
Depois dele veio o namorado virtual. Se conheceram no bate-papo e ele morava do outro lado do país. Trocavam juras de amor por MSN e ele jurava de pés juntos que quando fizesse 18 anos iria juntar dinheiro e ir visitar ela. Só que com o tempo eles começaram a se afastar um pouco e então ele começou a namorar com uma garota da cidade dele. Ela também partiu pra outra. Aos 13 anos conheceu aquele rapaz que a viciou na música que ela estava escutando. Ele fez um CD com as melhores músicas da banda e deu a ela, só porque ela disse que não conhecia. E hoje é uma das bandas internacionais que ela mais gosta. Este amor deu errado porque ele se apaixonou por outra, e ela sofreu muito.
O seguinte da lista chegou aos 14 anos de idade, e era um cara 7 anos mais velho que ela. Eles se conheceram na igreja e ela se apaixonou perdidamente pelo jeito engraçado dele. E quase morreu quando ele começou a corresponder a suas expectativas. Na época ela achou lindo, mas hoje ela entende que aquilo foi um caso de pedofilia e não consegue sentir nada mais do que nojo por ele. Entretanto, os momentos que viveu com ele foram lindos. Foi a primeira vez que ela conseguiu beijar um cara que ela realmente gostava, e ela se sentiu no paraíso. O amor durou quase um mês, até ela dizer a ele que queria um relacionamento sério e ele fugiu de fininho. Foi a maior decepção amorosa que ela teve. Passou dois meses chorando até que conheceu o seguinte da lista. Ele conseguiu fazer ela esquecer o pedófilo, e com algum tempo e alguns beijos ela acabou apaixonando-se por ele. Namoraram por três anos, mas ela sempre soube que aquele romance tinha prazo de validade. Apesar de o amar, ela sabia que ele não era o amor de sua vida.
O que nos leva ao último da lista. Aliás, este nem se quer entra na lista, pois é um amor, mas não um que deu errado. Desde a primeira conversa que ela teve com ele, ela percebeu que era a pessoa certa; que queria passar o resto da vida ao lado daquele homem maravilhoso. E então tudo fez sentido. Durante toda a vida ela passou por vários amores errados, e o maior medo de seu coração era que ela nunca encontrasse o amor certo. Mas ela encontrou. E sabia que, se não tivesse passado por tantos amores errados, não teria conseguido chegar à conclusão de que aquela pessoa era realmente a certa. Cada sofrimento, cada lágrima que ela derramou pelos outros amores ajudaram a construí-la, a prepara-la para aquela pessoa que por fim encerraria a sua lista de amores, colocando um ponto final com caneta dourada, mas não uma comum, era daquelas com glitter e com cheirinho de fruta.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Psicologia: Cadeiras do segundo período


Prosseguindo meus posts sobre Psicologia, já que tenho recebido tantos e-mails positivos de leitores que são interessados pelo curso, vou falar um pouco sobre cada uma das disciplinas que paguei no meu segundo período da faculdade. Lembrando que eu estudo na UFPE, o nome das cadeiras e a ordem de distribuição delas de acordo com os períodos podem mudar de acordo com cada universidade. Para ver o post sobre as cadeiras do primeiro período clique aqui.

Processos Cognitivos
Nessa cadeira eu estudei tudo o que está ligado à cognição humana: memória, aprendizagem, pensamento, raciocínio, inteligência, e como esses conceitos são formados nas crianças. Foi uma cadeira muito interessante, arrisco dizer que a mais interessante do período.

Processos Psicossociais
Nesta cadeira tivemos uma introdução às teorias da psicologia social, que é uma das áreas da psicologia. Muito ligada a conceitos da sociologia, a psicologia social acredita que nossas personalidades e ações são moldadas pelos nossos contatos sociais. Estudamos conceitos muito importantes como atitude, preconceito, descriminação, como esses fenômenos nascem nas pessoas e as consequências deles. Eu particularmente gostei muito desa cadeira, pois a área social é uma as que penso em seguir.

Processos de Subjetivação
Foi o meu primeiro contato direto com a psicanálise. Nesta cadeira nós estudamos como a subjetivação do indivíduo é formada, a partir das teorias psicanalistas de Freud e Lacan. Estudamos conceitos como complexo de édipo, castração, falo, teoria dos espelhos, psicose, neurose, perversão, em si, para si e para o outro... É uma teoria bastante complexa - pelo menos para mim pareceu ser - mas bastante interessante.

Psicologia do Desenvolvimento
Nessa cadeira nós estudamos o desenvolvimento humano, desde uma perspectiva filogenética, onde vimos os primeiros homo sapiens sapiens e como a inteligência e demais características humanas foram se desenvolvendo a partir daí, até uma perspectiva ontogenética, que estuda o desenvolvimento do indivíduo, então nós vemos o indivíduo desde sua infância, como o psicológico dele se dá ao longo dos anos, passando pela adolescência, idade adulta e também a velhice, analisando o perfil psicológico de cada etapa do desenvolvimento humano.

Avaliação Psicológica
Essa cadeira foi mais uma introdução aos tipos de avaliação psicológica. Vimos noções básicas para testes psicométricos, como validade e fidedignidade, vimos também um pouco de estatística que é necessária para interpretar os resultados dos testes, mas também fomos apresentados a testes projetivos, como o teste de Rorschach, além da interpretação de desenhos, etc. Resumindo, fomos apresentados aos tipos de instrumentos que os psicólogos podem utilizar para fazer uma avaliação e traçar um perfil do seu paciente.

Introdução à Pesquisa
Como terei que realizar uma pesquisa no final do curso para fazer minha monografia, existe essa cadeira introdutória que nos ensina os conceitos básicos necessários para realizar uma pesquisa, e mostra os cuidados que devemos ter também, tanto na hora de criar o instrumento de pesquisa, como na hora de coletar e analisar os dados. Meu professor nos fez realizar um projeto de pesquisa, tivemos que elaborar um questionário, pedir para algumas pessoas responderem e depois analisar as respostas, foi bem legal.

Neurofisiologia
Essa foi de longe a cadeira mais chata e difícil do período, se brincar de todo o curso. Lembra do que eu falei sobre a cadeira de neuroanatomia que tive no primeiro período, em que era preciso decorar o nome e cada buraquinho do cérebro? Então, nessa cadeira a gente tinha que lembrar de todos os nomes e decorar as funções de cada um deles. É muito difícil, uma cadeira bastante densa e pesada mesmo, mas no final vale a pena, pois adquirimos conhecimentos sobre as funcionalidades do cérebro humano, entendemos como ele funciona e como os processos psicológicos estão ligados a ele.

sábado, 1 de março de 2014

O livro de história que falava do futuro


Essa noite eu tive um sonho. Estava em uma biblioteca gigante, com estantes de no mínimo 5 metros de altura, repletas de livros. Tinha alguns grandes e de capas duras, outros menores, mais fininhos e menos pesados. Haviam alguns com cheirinho de novo, mas quanto mais eu adentrava no grande corredor formado pelas estantes, mais amareladas as páginas dos livros iam ficando. O ambiente tinha uma luz fraca, mas aconchegante. Eu podia sentir uma energia estranha, como se eu estivesse em algum lugar sagrado, algum lugar muito importante. E esta biblioteca estava vazia, o único som que eu conseguia ouvir eram meus sapatos batendo no chão, um após o outro, e a grande chuva caindo lá fora.
Eu não sabia onde estava, que horas eram nem aonde tinha que ir. Por isso decidi pegar um livro e começar a ler. Peguei um daqueles bem grossos e antigos. Não tinha título algum na capa, apenas uma gravura, algum símbolo que eu nunca tinha visto. Comecei a folear e percebi que era um livro de história, que contava detalhadamente tudo o que eu aprendi na escola. Ah, como eu gostava de história! O aparecimento dos homo sapiens sapiens, o domínio do fogo, a descoberta da roda, as primeiras sociedades. Me demorei a um pouco mais nas páginas que falavam sobre a Mesopotâmia e o Egito Antigo, são assuntos que realmente me fascinam. Continuei passando as páginas e vendo toda a história da humanidade passar na minha frente. Idade média e as aberrações da igreja católica, renascimento, revolução industrial, grandes epidemias e guerras que mataram milhões de pessoas.
Quando eu estava chegando mais ou menos na metade do livro já estava sendo narrada a história da segunda guerra mundial. Fiquei confusa, afinal ainda restavam tantas páginas e a segunda guerra mundial nem aconteceu a tanto tempo atrás. Comecei a passar as folhas com mais pressa, ansiosa para ver o que vinha em seguida, para ver a história chegar nos dias atuais e descobrir o que tinha nas páginas seguintes do livro. E então, assim que virei uma página, meu queixo caiu. Com o coração acelerado, me dei conta que já havia ultrapassado os dias atuais e o livro continuava. Parecia que o futuro já estava escrito ali também, mas eu não conseguia ler.
Comecei a me desesperar. As linhas não passavam de borrões aos meus olhos. Voltei algumas páginas e li sobre a crise financeira de 2008; minha visão estava normal. Avancei novamente as páginas e tudo ficou turvo e confuso de novo. Me esforcei bastante e até consegui identificar uma palavra ou outra, mas não conseguia entender o que o texto dizia, não consegui ler o que ia acontecer no decorrer da história.
Acordei suando, estava nervosa e incomodada. Peguei o livro que estava em minha cabeceira e fui diretamente para a última página; consegui ler perfeitamente e me senti aliviada, havia sido apenas um sonho. Enquanto embolava na cama tentando dormir, eu pensava no significado desse sonho. O futuro já está escrito mas eu não consigo ler, preciso vivê-lo como presente primeiro. Esforcei-me para lembrar das palavras aleatórias que consegui entender, tentar encaixá-las, dar algum sentido a elas. Obviamente não consegui. Me senti frustrada, por mais que eu tivesse algumas pistas, o futuro continuava sendo um total mistério para mim.
Fiquei irritada e desejando nunca ter tido aquele sonho, nunca ter tido essas pistas sobre o futuro. Foi então que percebi que eu não precisava sonhar para obter essas pistas. A medida que a gente vai vivendo, várias pistas sobre o futuro vão aparecendo. Por exemplo, é possível que no futuro eu seja uma psicóloga, pois é este o curso que estou fazendo atualmente. Mas nada garante que, talvez no último ano da faculdade, eu mude de ideia e decida me tornar uma jornalista. Ou uma médica. Ou uma dona de casa. Isso é engraçado quando lembro que, ao decidir prestar vestibular para psicologia, eu achei que estava escrevendo meu futuro, decidindo quem eu seria a partir dali. A verdade é que isso não é garantia de nada. Por mais que nós tentemos nos agarrar em fatos do presente para tentar ter alguma segurança em relação ao futuro, ele continua sendo um mistério para nós, onde tudo o que menos esperamos pode acontecer.
Consegui voltar a dormir, já não estava mais inquieta. Consegui aceitar que o futuro é e sempre será um mistério. Ele pode trazer coisas tristes, como uma terceira guerra mundial, ou coisas felizes, como uma grande história de amor. A graça disso tudo é realmente se deixar ser surpreendida por ele.
Sonhei de novo, mas agora não foi com livros grandes e pesados. Tudo era branco e haviam flores coloridas e borboletas. Eu me sentia leve, me sentia feliz.