terça-feira, 5 de março de 2013

Psicologia: Inato x Adquirido

Perdão a ausência, leitoras queridas, estou em semana de provas na faculdade, está uma loucura. Mas enfim, vou postar o primeiro post dos que eu espero serem muitos aqui nessa nova categoria do blog, sobre psicologia. Aviso logo que não são artigos científicos, nem um texto do tipo que você procura no google pra fazer um trabalho. É mai um texto à critério de curiosidade, para mostrar para vocês coisas que eu estou estudando e acho interessante.


Você já parou para se perguntar se você já nasceu com essa sua personalidade, ou se ela foi moldada de acordo com o meio em que você vive? Pois é, esta é a grande questão do Inato e Adquirido que a psicologia tanto aborda. E quanto digo tanto, é TANTO mesmo. Estou no primeiro período e já tive que ler vários textos sobre o assunto e participei de vários debates também, pois são várias cadeiras que envolvem essa temática.

Bom, inicialmente eu acreditava que a personalidade era adquirida. Que durante nossa vida nós íamos moldando ela de acordo com a cultura à qual estamos inseridos, à religião, à família, aos amigos... Só que em 2011 quando eu estava estudando para o vestibular descobri que nas pessoas existem vários traços de personalidade que são transmitidos geneticamente. Se você é tímido, agitado, nervoso, neurótico, depressivo... tudo isso já vem definido no seu DNA desde o momento em que você é concebido. E vai mais além... os nossos genes nos dão predisposição para uma série de coisas, como doenças (câncer por exemplo), alcoolismo, tabagismo, uso de drogas e outros vícios. Meu professor de biologia havia me dito que até os psicopatas tem essa "maldade" originada de seu DNA.

Mas então, quando cheguei na faculdade descobri que a questão vai mais além do que eu poderia imaginar. Acreditam que cada mínimo detalhe da personalidade humana possui base genética? Minha organização, minha maneira de lidar com relacionamentos, meu gosto musical, minha devoção religiosa, minha leitura, meu desempenho nos esportes, tudo! Segundo estudos, até mesmo tendências ao suicídio são inatas.

E o que eu achei mais interessante foram os estudos para comprovar esta teoria, realizado com gêmeos idênticos. Eles são as pessoas mais parecidas que poderemos encontrar no mundo. Além da fisionomia igual eles dividem também sua carga genética. E como o DNA deles é igual, os gêmeos idênticos são praticamente clones feitos pela natureza. E além de tudo isso, eles ainda estão inseridos no mesmo ambiente, no mesmo contexto cultural. Recebem a mesma educação dos pais, normalmente frequentam o mesmo grupo de pessoas, possuem a mesma religião... ou seja, basicamente suas personalidades são moldadas da mesma maneira, tanto do ponto de vista inato como do adquirido. Eles costumam apresentar os mesmos gostos e interesses, o mesmo humor, o mesmo grau de sociabilidade e a mesma instabilidade emocional.

Entretanto, o que me deixou mais intrigada nesse estudo são os diversos casos de gêmeos que cresceram separados. Alguns foram mandados para adoção ainda bebês e nem se quer sabiam da existência do irmão. Outros são criados até mesmo em países diferentes, com pessoas, culturas e religiões diferentes. E mesmo assim eles apresentam uma incrível semelhança em seus traços psicológicos. Costumam possuir o mesmo gosto musical, se vestirem de forma incrivelmente parecida, gostam de assistir ao mesmo tipo de programa na televisão, têm medo das mesmas coisas, muitas vezes têm até a mesma comida preferida. Escolhem até o mesmo nome para os seus cachorros! Sua maneira de se relacionar com as pessoas também é igual. Geralmente, se um se divorciar então o seu gêmeo idêntico tem chances 5 vezes maiores de se divorciar também. Segundo os estudos que foram feitos, os gêmeos separados acabaram fazendo o mesmo curso na faculdade, casando na mesma época (muitas vezes a diferença era de poucos dias!), tendo a mesma quantidade de filhos e até os mesmos problemas cardíacos derivados de seus hábitos de alimentação. Incrivelmente, os irmãos gêmeos que crescem separados são ainda mais parecidos do que os que crescem juntos. É como se, ao crescer ao lado do seu irmão gêmeo, a pessoa tentasse fazer de tudo para ser diferente dele. E quando crescem separados eles têm mais liberdade para serem eles mesmos, e por isso é que encontra-se tantas semelhanças em suas personalidades.

Outro estudo interessante para este tema foi feito com crianças adotadas. Vocês acham que elas são mais parecidas com seus pais adotados, ou com os biológicos que elas nem se quer chegaram a conhecer? Pois é, por incrível que pareça, é com os biológicos. Mesmo recebendo a educação dos pais adotivos, vivendo no mesmo estilo de vida deles, tendo a mesma base religiosa e etc, a criança desenvolve a personalidade bem mais parecida com a de seus pais biológicos. Portanto, se uma criança filha de pais violentos é adota por uma família extremamente calma, mesmo assim ela tente a desenvolver traços violentos em sua personalidade.

Vale ressaltar que eu não estou aqui dizendo que nossas experiências não contribuíram em nada para nos formar como pessoas. Elas contribuíram sim - e muito! Na verdade o sistema todo funciona como um revólver, onde o inato é a bala e o ambiente é o gatilho. Não adianta alguém tentar fazer você gostar de verduras, se você não tem a predisposição genética para isso, por mais que tente não irá conseguir. Porém, ter a predisposição genética também não indica um determinismo. Se você tem os genes da maldade, mas viver em um ambiente tranquilo, provavelmente não irá desenvolver a sua agressividade. Ou seja, não adianta ter a bala mas não puxar o gatilho, mas também não adianta puxar o gatilho quando não há nenhuma bala dentro do revólver. O inato e o adquirido precisam agir em conjunto para nos moldar, para formar a nossa personalidade.

Então, depois de ler tudo isso, você já parou para pensar na importância que isso tem? Em toda a complexidade da coisa? Você não gosta de rock porque um dia seu amigo te mostrou uma música legal. Você gosta de rock porque é o que o seu DNA disse que você iria gostar, mesmo antes de você nascer. E aquele seu vício no chocolate não é um efeito colateral da TPM, é também uma predisposição genética. E se você vê uma criança violenta, não pode culpar seus pais por isso. Ela simplesmente nasceu assim. E essa linha de raciocínio se estende, passando por muitos pontos interessantíssimos que conseguimos imaginar e fazendo com que percamos noites de sono pensando e pensando e pensando sobre o assunto. Pelo menos é o que aconteceu comigo desde o momento que eu fui apresentada à essa grande questão do inato e do adquirido. E você, o que pensa?

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18 comentários:

  1. Ai eu pensei "meh, que texto grande e que preguiça, mas é psicologia e eu me interesso"
    li em uns 4 minutos HUSHAUSHAUHSUAHSUAHU
    Muito bom, Anninha!
    O assunto é fascinante e o seu texto ficou bem entendível para leigos, como eu hehehe.
    Aguardo ansiosa por outras curiosidades como essa xD

    Xx

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  2. Passeando pelos blogs encontrei o seu... que por sinal muito me interessa!!! Seguindo aqui!!! Um beijooo mega carinhoosooo!!!!


    www.manunaotaobasica.blogspot.com.br

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  3. Anna eu adorei o post!
    Já estudei isso qnd estava na faculdade, pois além
    de pagar a cadeira de psicologia ainda fiz um curso
    de férias sobre psicanálise e eu gostei muito! Super
    interessante o post e muito claro! Tinha coisa que eu
    nem sabia! Adorei a categoria nova!

    Beijinhos!!

    http://priscilameloc.blogspot.com

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  4. Bom eu acho que é uma mistura das duas coisas. Ao meu ver você nasce sim com algumas características da personalidade definidas, mas creio que não tem como vir o pacote completo, algumas coisas você acaba adquirindo depois. A família, os amigos e o seu meio vão te influenciar em alguma coisa, mesmo que em coisas pequenas.
    Adorei a categoria, espero em breve poder conhecer mais um pouco de psicologia, acho este um assunto super interessante.

    http://livinhas-place.blogspot.com.br/

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  5. Já parei pra me perguntar isso várias vezes, até cheguei a conclusão que é "um pouco dos dois". Segundo seu texto a genética foi meio ingrata comigo, por que eu pra esportes e organização, vixi kkkkkkkkkkkk Legal esse lance de filhos adotivos, eu sempre acreditei nisso, o que me tornou receosa em adotar uma criança, a gente vê cada coisa por ai né?
    Eu acho que cada um tem sim sua personalidade, mas eu já mudei tanta coisa em mim que eu não gostava né? prq as pessoas não podem se tornar gente melhor também?
    beijo, adorei o post

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    1. Pelo que eu entendi nas aulas, uma das teorias psicológicas (e que eu achei muito convicta) é de que a parte da sua personalidade que vem dos seus genes é imutável, como o seu dom para os esportes. Porém, a parte adquirida é a parte que pode ser alterada com o tempo, de acordo com sua história, seus amigos, sua família, suas crenças... enfim. Eu gostei desta explicação, acho que faz bastante sentido.

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  6. Menina, amei esse post e amei o assunto! Não sabia disso sobre os gêmeos, é realmente fantástico. E olha, quero ver essa categoria movimentada, sempre me interessei por psicologia. ;)
    Beijinhos.

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  7. Eu geralmente entro em blogs, mais para comentar o post e ir embora, mas o seu post me chamou a atenção, então vou fazer meu comentário de coração: Eu também quero ser psicóloga eu sou fascinada pelo cérebro, e por me aprofundar nesse assunto, e sempre quando leio a bio de alguém e fala que ela quer ser psicóloga já sei que vai fazer um blog que eu vou gostar, então eu leio de coração, eu li mesmo o post, sem brincadeira, eu não sabia disso, mas li, e ainda tenho as minhas dúvidas!! Tem um caso de gêmeos idênticos separados quando criança, e que foram adotados por famílias diferentes, mas famílias orientais os dois, os dois batizados de "James" pelo que eu me lembre, talvez seja outro nome, os dois tinham o mesmo emprego, a mesma quantidade de filhos, mulheres com mesmos nomes, e muito mais coisas absurdas!! Mas eu ainda tenho as minhas dúvidas, muitas vezes isso parte de problemas da família, ou problemas pessoais, traumas de criança, ou não sei!! Doenças, então a minha opinião eu não apoio isso ser do DNA, pode muitas vezes ser sim, mas não generalizado como "Todo mundo é assim" tem psicopatas que eles matam porque pro exemplo, seus pais brigavam, e seu pai bêbado matou sua mãe na sua frente (Caso verídico) ou estupradores, estupram porque na sua infância foram tocados por padastros, molestados, ou algo assim. Eu tenho as minhas dúvidas, é algo a se estudar!! Eu amei o seu blog, de coração! E por isso, vou colocar no meu Blogroll se me permite, quero continuar lendo essa série aqui do seu blog, tenho muito a aprender contigo! Você poderia fazer um post falando, sobre como é a preparação para essa fase né? O que estudou para presta vestibular, livros bons para se ler, algo do tipo!! Eu ficaria muito grata, não tem posts bons na internet falando sobre isso!! Beijos linda

    Duda Nogueira

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    1. Fiquei super feliz com o seu comentário, de verdade!
      Sobre as suas dúvidas, a explicação que esta teoria dá é a seguinte:
      Existem psicopatas que viram violência em casa na infância, como o pai assassinar a mãe na frente dele. Beleza, isso é um fato. Porém, também é um fato que existem muitas pessoas que passaram pela mesma situação, porém não se tornaram psicopatas na vida adulta. Ou seja, a pessoa tinha o gene do psicopata, e aquela situação traumática de sua infância fez o problema psicológico desencadear, enquanto uma pessoa que não possui a predisposição genética pode passar pela mesma situação e não reagir da mesma maneira, entende?
      Mas de qualquer jeito, tudo isso que eu falei aqui são TEORIAS. Existem várias que são contra essas também, e cada profissional escolhe a teoria que lhe agrada mais para trabalhar. Eu particularmente me identifiquei muito com essa genética. Porém, se você chegar a fazer o curso tenho certeza que ficará muito satisfeita com as teorias opostas também.
      Fico muito feliz que você queira colocar no seu blgroll o meu humilde blog, de verdade. E já anotei aqui eu pedido, será o próximo post da categoria, não se preocupe.
      Obrigada pelo carinho.

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  8. Não gosto sobre o assunto... já pensei, mas não.
    Belo post, bem interessante para quem curte.
    @esteffanifontes, do blog Aos Dezesseis Anos
    aosdezesseisanos.blogspot.com.br

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  9. O seu blog é maravilhoso amei, se você puder der uma passadinha no meu e por favor retribui a inscrição.

    http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/

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  10. Bom não sou psicologa mais acredito, que 70% sofremos influência do meio que vivemos e 30% pode-se se dizer que é genético.

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  11. Bom não sou psicologa, mas posso dizer que 70% é influência do meio e 30% é genético.

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  12. Oi, me desculpa estar em anônimo, meu nome é Mariani e estou mesmo afim de fazer o curso de psicologia e simplesmente amei o que escreveu. Você é ótima com as palavras. Me ajudou muito. Não só com essa matéria, mas com todas. Obrigada =)

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  13. Oi, sou estudante de psicologia e o que aprendi foi que o inato é o temperamento do indivíduo, que já nasce com ele. Ex: calmo, extrovertido etc, e o adquirido é o caráter que o indivíduo vai moldando com os meios externos, família, escola etc. Ex: bom, honesto. Que por fim resulta na personalidade, ou seja, temperamento + caráter + atitudes= PERSONALIDADE.

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    1. Quando escrevi esse post eu ainda estava no começo do curso, um pouco maravilhada com esse mundo de descobertas. Hoje estou na metade do curso e entendo que existem diferentes teorias na psicologia que vão explicar as coisas de maneiras diferentes. O que eu falei no post de trata de uma das teorias, o que você falou é outra teoria... e dessa forma nos vemos confusas nesse mundo louco da psicologia onde nada é uma verdade absoluta.

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  14. Primeiro Blog que eu pego para ler, sobre Psicologia, e gostei da forma como você descreveu a ideia.
    Parabéns!

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Assim que puder responderei seu comentário, e se você deixar o link do seu blog irei retribuir a visita. Obrigada, e volte sempre!

Beijos, Anna