terça-feira, 19 de março de 2013

Primeiro dezenove


Há um ano atrás estava eu indo para aquela festa chata, com bandas que eu não gostava, com um aglomerado que tornava quase impossível se mexer, com gente soprando fumaça de cigarro na minha cara e me dando banho de cerveja. Não gosto desse tipo de festa. Mas mesmo assim eu estava indo para aquela com um sorriso no rosto, e lá no fundo eu tinha a sensação de que algo ia acontecer entre eu e você. Talvez eu não soubesse que esse algo mudaria minha vida, meus dias, minha rotina, mas eu já sabia que aquela não seria uma simples festa em que eu ficaria com sono depois das duas da manhã. E realmente, não fiquei. Fomos, dançamos (ou pelo menos você tentou dançar), reclamamos juntos da fumaça do cigarro, e então você começou a passar mal. Culpa de todo aquele red bull que você tomou para tentar ficar um pouco mais animado para mim. Fomos então para a casa de uma amiga que ficava em frente a festa, e lá você se deitou no sofá e ficou esperando o mal estar ir embora. Todos resolveram voltar pra festa, mas eu quis ficar lá cuidando de você. Verdade seja dita, eu estava odiando a festa e não queria voltar. Odeio cheiro de cigarro, odeio aglomeração em festa e odiava aquela banda que tava tocando músicas que me ofendiam como mulher. Ficar lá com você parecia tão mais... interessante! Aos pouco você foi melhorando, e quando já estava se sentindo bem nós não quisemos voltar. Um ficou arrumando desculpa para o outro e no final resolvemos assistir um filme. Pegamos a coleção de DVDs da casa e tentamos escolher um. Só tentamos, porque não conseguimos entrar em um consenso. No final decidimos ficar assistindo ao filme que estava passando na televisão mesmo, mas é óbvio que nenhum dos dois assistiu de verdade. Ambos estávamos apreensivos e pensando em uma maneira de puxar conversa com o outro. Meu coração batia mais forte, e eu acho que o seu também. Depois de algum tempo, não lembro pela iniciativa de quem, finalmente começamos a conversar. Não lembro sobre qual o assunto, mas tenho certeza que era algo muito idiota. Eu só consigo falar idiotices nesses momentos. Mas, por sorte, não demorou muito para você me fazer calar a boca. Da melhor maneira possível. O batom vermelho foi transferido dos meus lábios para todo o redor da sua boca. Era uma sensação de primeiro beijo tão estranha que chegava a ser engraçada, e nos fazia ficar lá rindo sem motivos. Acho engraçado como essas coisas acontecem. Como o destino tinha algo tão especial reservado para nós. Desde o primeiro beijo eu já sabia que aquela não seria uma simples ficada. Que você não seria um menino que eu beijei numa festa e nunca mais falei. Eu sabia que ia sair algo mais dali, e quase um mês depois você me revelou que, lá no fundo, também sabia da mesma coisa naquele momento. A festa terminou e você foi me levar na casa de uma amiga aonde eu ia dormir. O sol já havia nascido, e nós fomos caminhando de mãos dadas por todo o caminho enquanto ouvíamos as pessoas soltarem piadinhas por estarmos juntos. Quando chegamos na porta da casa meu coração se apertou. Eu não queria me despedir, não queria te dizer tchau. Mas precisava. Demos um último beijo de despedida e então você falou no meu ouvido.
― Me passa seu telefone por facebook? Se você quiser, é claro.
― Eu quero.
Demorou três dias para você me ligar, pois não queria parecer desesperado. E desde então não houve um único dia se quer em que não nos falamos por telefone. E as coisas caminharam de um jeito tão natural e tão bonito que eu quase não percebi este ano se passar. Acordar hoje e pensar que faz um ano que você entrou na minha vida fez meu sorriso abrir de uma maneira diferente hoje. Espero, do fundo do meu coração, que tenhamos muitos outros dezenoves de março para comemorar daqui pra frente. Porque afinal, o ouro do Brasil está na Inglaterra e existem pessoas físicas e pessoas jurídicas, não pessoas virtuais.
E eu acredito que não preciso encerrar este texto com um "eu te amo" e um coração ao invés do ponto final, pois foi isso que eu escrevi em todo o texto. E não foi nem pelas entrelinhas, está impregnado no texto de forma muito explícita. Todas as palavras que digitei aqui podem condensar-se em uma única mensagem, formando essas três palavrinhas que todas as noites eu escuto você me dizer ao telefone antes de eu adormecer.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Chegou a hora de partir


Quando nos conhecemos, há cinco meses atrás, eu sabia que este dia chegaria. Assim que percebi que havia possibilidades de eu me apaixonar por ele, eu pensei "não seja idiota, não se apaixone, você sabe que vai embora". O problema foi que meu coração não quis ouvir minha cabeça. Sim, eu sabia que iria embora, e mesmo assim resolvi entregar-me a esta paixão. Que mal teria, apenas mais um romance? O problema maior chegou quando a paixão tornou-se amor, e eu acabei descobrindo que ele é o homem da minha vida. E a reciprocidade me deixava com ainda mais certeza de que sim, eu havia encontrado a pessoa certa. A pessoa com quem eu poderia passar o resto de minha vida.

Por efêmeros momentos eu esqueci que proximamente teria que partir, e apenas me entreguei. Me entreguei ao momento, me entreguei a ele, me entreguei ao nosso amor. Vivi os momentos mais lindos e emocionantes da minha vida, e a cada dia eu tinha cada vez mais e mais certeza de que ele estaria ao meu lado para sempre. Até que, de repente, sem aviso nenhum, meu mundo desaba.

Bruscamente chega a notícia de que o dia de minha partida foi marcado. Apesar de eu já saber desde o início que este dia chegaria, a notícia pegou-me totalmente desprevenida. Senti meu coração apertar. E depois parar de bater. E depois voltar a bater. E então ele apertou mais ainda. Olhei fixamente aquelas palavras que anunciavam em apenas dois meses eu iria embora.

Dois meses! Parece muita coisa, mas para quem esperava passar toda a eternidade ao lado de alguém... dois meses é desesperante. E foi assim que eu me senti, desesperada. Fiquei perdida, sem saber o que devo fazer, ou o que quero fazer. Tantas coisas que ainda quero fazer, e tão pouco tempo para realizá-las! E então minha mente começou a vagar pelo futuro, e imaginar como ele será. "Talvez eu ainda o veja", "Será que eu poderei vir visitá-lo uma vez por mês?", "Como vou aguentar viver sem ele?", "Será que a distância o fará me esquecer?"...
Tantas dúvidas a respeito de um futuro incerto, que acabam transformando o presente em um pesadelo. Senti todos os meus maiores sonhos serem destruídos em um estalar de dedos. E a grande ironia é que se eu já sabia que eles seriam destruídos, porque me dei a liberdade de sonhar? O medo começou a dominar o meu corpo - e talvez até a minha alma - e me deixou fraca. Insegura. Perdida. Até que, entre lágrimas, escuto a voz grossa que tem o poder de me acalmar instantaneamente.

- Nada disso importa! Nosso amor é verdadeiro, e por isso ele irá superar a distância, o tempo e todos os outros obstáculos que aparecerem.
- Promete que isso não vai mudar a gente? Mudar nosso relacionamento? - Pergunto enxugando minhas lágrimas.
- Não é necessário, pois já prometi que te amaria para sempre, que casaria com você e viveria o resto da minha vida ao seu lado. E eu não quebro promessas.

Então foi decidido. Namoro à distância. Telefone, internet, viagens mensais. Precisaremos de muito dinheiro, muita paciência, muita confiança, muita força de vontade... e muito amor. Não sei se conseguiremos manter nossa promessa de ficarmos juntos pelo resto de nossas vidas - afinal, o futuro só pertence a Deus - mas eu apostaria todas as minhas cartas que sim, nós temos uma boa chance. Ou ao menos, eu quero que tenhamos uma chance. E isso por si só já é o suficiente para fazer as coisas funcionarem.


PS: Esse texto foi escrito em setembro de 2012 mas só agora resolvi publicar aqui.

terça-feira, 5 de março de 2013

Psicologia: Inato x Adquirido

Perdão a ausência, leitoras queridas, estou em semana de provas na faculdade, está uma loucura. Mas enfim, vou postar o primeiro post dos que eu espero serem muitos aqui nessa nova categoria do blog, sobre psicologia. Aviso logo que não são artigos científicos, nem um texto do tipo que você procura no google pra fazer um trabalho. É mai um texto à critério de curiosidade, para mostrar para vocês coisas que eu estou estudando e acho interessante.


Você já parou para se perguntar se você já nasceu com essa sua personalidade, ou se ela foi moldada de acordo com o meio em que você vive? Pois é, esta é a grande questão do Inato e Adquirido que a psicologia tanto aborda. E quanto digo tanto, é TANTO mesmo. Estou no primeiro período e já tive que ler vários textos sobre o assunto e participei de vários debates também, pois são várias cadeiras que envolvem essa temática.

Bom, inicialmente eu acreditava que a personalidade era adquirida. Que durante nossa vida nós íamos moldando ela de acordo com a cultura à qual estamos inseridos, à religião, à família, aos amigos... Só que em 2011 quando eu estava estudando para o vestibular descobri que nas pessoas existem vários traços de personalidade que são transmitidos geneticamente. Se você é tímido, agitado, nervoso, neurótico, depressivo... tudo isso já vem definido no seu DNA desde o momento em que você é concebido. E vai mais além... os nossos genes nos dão predisposição para uma série de coisas, como doenças (câncer por exemplo), alcoolismo, tabagismo, uso de drogas e outros vícios. Meu professor de biologia havia me dito que até os psicopatas tem essa "maldade" originada de seu DNA.

Mas então, quando cheguei na faculdade descobri que a questão vai mais além do que eu poderia imaginar. Acreditam que cada mínimo detalhe da personalidade humana possui base genética? Minha organização, minha maneira de lidar com relacionamentos, meu gosto musical, minha devoção religiosa, minha leitura, meu desempenho nos esportes, tudo! Segundo estudos, até mesmo tendências ao suicídio são inatas.

E o que eu achei mais interessante foram os estudos para comprovar esta teoria, realizado com gêmeos idênticos. Eles são as pessoas mais parecidas que poderemos encontrar no mundo. Além da fisionomia igual eles dividem também sua carga genética. E como o DNA deles é igual, os gêmeos idênticos são praticamente clones feitos pela natureza. E além de tudo isso, eles ainda estão inseridos no mesmo ambiente, no mesmo contexto cultural. Recebem a mesma educação dos pais, normalmente frequentam o mesmo grupo de pessoas, possuem a mesma religião... ou seja, basicamente suas personalidades são moldadas da mesma maneira, tanto do ponto de vista inato como do adquirido. Eles costumam apresentar os mesmos gostos e interesses, o mesmo humor, o mesmo grau de sociabilidade e a mesma instabilidade emocional.

Entretanto, o que me deixou mais intrigada nesse estudo são os diversos casos de gêmeos que cresceram separados. Alguns foram mandados para adoção ainda bebês e nem se quer sabiam da existência do irmão. Outros são criados até mesmo em países diferentes, com pessoas, culturas e religiões diferentes. E mesmo assim eles apresentam uma incrível semelhança em seus traços psicológicos. Costumam possuir o mesmo gosto musical, se vestirem de forma incrivelmente parecida, gostam de assistir ao mesmo tipo de programa na televisão, têm medo das mesmas coisas, muitas vezes têm até a mesma comida preferida. Escolhem até o mesmo nome para os seus cachorros! Sua maneira de se relacionar com as pessoas também é igual. Geralmente, se um se divorciar então o seu gêmeo idêntico tem chances 5 vezes maiores de se divorciar também. Segundo os estudos que foram feitos, os gêmeos separados acabaram fazendo o mesmo curso na faculdade, casando na mesma época (muitas vezes a diferença era de poucos dias!), tendo a mesma quantidade de filhos e até os mesmos problemas cardíacos derivados de seus hábitos de alimentação. Incrivelmente, os irmãos gêmeos que crescem separados são ainda mais parecidos do que os que crescem juntos. É como se, ao crescer ao lado do seu irmão gêmeo, a pessoa tentasse fazer de tudo para ser diferente dele. E quando crescem separados eles têm mais liberdade para serem eles mesmos, e por isso é que encontra-se tantas semelhanças em suas personalidades.

Outro estudo interessante para este tema foi feito com crianças adotadas. Vocês acham que elas são mais parecidas com seus pais adotados, ou com os biológicos que elas nem se quer chegaram a conhecer? Pois é, por incrível que pareça, é com os biológicos. Mesmo recebendo a educação dos pais adotivos, vivendo no mesmo estilo de vida deles, tendo a mesma base religiosa e etc, a criança desenvolve a personalidade bem mais parecida com a de seus pais biológicos. Portanto, se uma criança filha de pais violentos é adota por uma família extremamente calma, mesmo assim ela tente a desenvolver traços violentos em sua personalidade.

Vale ressaltar que eu não estou aqui dizendo que nossas experiências não contribuíram em nada para nos formar como pessoas. Elas contribuíram sim - e muito! Na verdade o sistema todo funciona como um revólver, onde o inato é a bala e o ambiente é o gatilho. Não adianta alguém tentar fazer você gostar de verduras, se você não tem a predisposição genética para isso, por mais que tente não irá conseguir. Porém, ter a predisposição genética também não indica um determinismo. Se você tem os genes da maldade, mas viver em um ambiente tranquilo, provavelmente não irá desenvolver a sua agressividade. Ou seja, não adianta ter a bala mas não puxar o gatilho, mas também não adianta puxar o gatilho quando não há nenhuma bala dentro do revólver. O inato e o adquirido precisam agir em conjunto para nos moldar, para formar a nossa personalidade.

Então, depois de ler tudo isso, você já parou para pensar na importância que isso tem? Em toda a complexidade da coisa? Você não gosta de rock porque um dia seu amigo te mostrou uma música legal. Você gosta de rock porque é o que o seu DNA disse que você iria gostar, mesmo antes de você nascer. E aquele seu vício no chocolate não é um efeito colateral da TPM, é também uma predisposição genética. E se você vê uma criança violenta, não pode culpar seus pais por isso. Ela simplesmente nasceu assim. E essa linha de raciocínio se estende, passando por muitos pontos interessantíssimos que conseguimos imaginar e fazendo com que percamos noites de sono pensando e pensando e pensando sobre o assunto. Pelo menos é o que aconteceu comigo desde o momento que eu fui apresentada à essa grande questão do inato e do adquirido. E você, o que pensa?