sábado, 23 de fevereiro de 2013

Positivo


O desespero começou a preencher lentamente cada célula do corpo de Melissa, enquanto seu olhar estava fixo no objeto que estava em suas mãos, já trêmulas, indicando o que ela tanto temia. Um milhão de coisas se passou pela cabeça dela no momento, e ao mesmo tempo, ela vasculhava a mente à procura de um pensamento coerente se quer e não encontrava nada. Branco total. Como é possível que ao mesmo tempo esteja se passando milhões de pensamentos pela cabeça e a sensação que temos é que nossa mente está parada? Como naquela brincadeira de estátua que ela adorava brincar quando mais nova. Então ela lembrou-se ligeiramente de sua infância, de suas bonecas, das brincadeiras nas tardes ensolaradas depois da escola, as coleguinhas que ficavam disputando quem era mais bonita. Tudo aquilo parecia ter acontecido há apenas alguns dias, mas o objeto que ela tinha em mãos fazia parecer com que já se houvessem passado pelo menos vinte anos desde aquela época. Mas não havia se passado nem cinco anos na totalidade. Então ela começou a pensar, como era possível uma garota de quinze anos estar passando por aquela situação?

E então a resposta surgiu em sua mente, tão rápida como um raio caindo e iluminando todo o céu. O motivo de seu problema era alto, moreno, e dono do sorriso mais lindo do mundo. Não, do universo. Seus olhos cor de mel eram capazes de penetrar-lhe o mais profundo da alma, chegar até a parte mais interior de seu coração, que no momento estava tão pequenino e apertado quanto o apartamento de sua tia Jacinta. O nome de seu problema era Fernando, e ele tinha dezessete anos. Ela começou a lembrar-se de como o havia conhecido, há alguns meses atrás, na festa de carnaval do colégio onde ambos estudam. Ela estava dançando frevo, dança carnavalesca típica de sua cidade, enquanto ele a observava de longe fazer os passos complicados com tamanha facilidade e graciosidade. Pouco tempo depois ele já a estava convidando para ir ao cinema com ele naquele fim de semana. Ela aceitou. Eles foram, conversaram, falaram sobre cada um, comeram pipoca, riram, e na metade do filme ele a beijou. Um beijo demorado e carinhoso, que fez com que o coração dela batesse mais forte. E foi naquele momento que ela se apaixonou.

Ah, como ela era apaixonada por Fernando! Sentia que cada pedacinho do seu corpo o amava, e sentia sua ausência quando eles estavam longe um do outro. Sentia seu coração bater por ele, sentia seu sorriso abri-se por ele. Ela o amava tanto, ao ponto de ceder a todos os desejos dele. Principalmente se na hora de pedir ele usa aquele olhar sedutor, aquele sorriso sexy, e se a sua boca macia e rosada pronunciasse suave e nitidamente as palavras que ela precisava escutar: “Não vai acontecer nada, eu te amo e nunca faria uma coisa dessas com você”. Pronto, era o fim da discussão. Ela já estava jogada aos pés dele, concordando feliz com absolutamente tudo o que ele a propunha.

Mais uma vez ela voltou o olhar para o objeto que tinha em mãos. Pequeno, comprido e fininho. Branco. Cabia em uma única mão, apesar de ela estar segurando com as duas, já que estava trêmula. Aquele objeto fazia com que as palavras de Fernando parecessem tão distantes, como se não tivessem sido pronunciadas no mundo real e sim em seus sonhos. Mas na sua mente era como se fosse o inverso. Como se as palavras de Fernando fossem a única verdade do mundo inteiro, e aquele objeto que ela possuía em mãos fosse uma mera ilusão. Um devaneio que logo iria embora.

Droga Melissa! ela pensou, irritada. Por que você tinha que ser tão boba e acreditar em tudo o que ele diz? Fazer tudo o que ele pede, mesmo conhecendo as possíveis consequências? E lá estava, em suas mãos, a consequência de seus atos impulsivos e não pensados. Ou melhor, lá estava o anuncio da consequência, pois esta se encontrava dentro da barriga dela. E a palavra “positivo” começou a ecoar novamente em sua cabeça, lembrando-lhe do resultado contido no pequeno objeto em suas mãos. Uma lágrima solitária caiu de um de seus olhos, enquanto ela respirava fundo e falava em voz alta, para finalmente aceitar aquilo como uma realidade e não apenas algo de sua cabeça:

— Estou grávida!

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6 comentários:

  1. \o/
    Adorei o texto!
    Vc escreve muito bem ;)

    Beijinhos!!

    http://priscilameloc.blogspot.com

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  2. Amei, texto extremamente descritivo.
    Você escreve muito bem. (:

    Beijos
    http://comoumrefugio.blogspot.com.br/

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  3. Caraca, que texto lindo. Sério.
    Podia ter uma continuação. Sei lá. Gostaria de saber se Fernando vai ficar com ela kkkkk /eu me apegando a história.
    bjs

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  4. Muito bom o texto! Você que escreveu? Adorei rs
    Beijos, Lari.
    http://metal-girlie.blogspot.com.br/

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  5. qu eperfeito o texto!
    seria legal colocar ele na tag do meu blog!

    @esteffanifontes, do blog Aos Dezesseis Anos
    aosdezesseisanos.blogspot.com.br

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