sábado, 8 de dezembro de 2012

Diário #26

Hoje está fazendo exatamente oito dias que eu me mudei para a capital do meu estado, Recife. Desde que eu tenho memória eu desejava um dia terminar o colégio, me mudar pra cá e estudar na Universidade Federal de Pernambuco. E tempo passou e eu lutei por meus objetivos, e em janeiro recebi a notícia de que eu havia sido aprovada no vestibular da UFPE para cursar psicologia. Nada poderia me deixar mais realizada... Mas enfim, eu escolhi segunda entrada (apesar da minha nota ter dado pra entrar na primeira tranquilamente) porque eu precisava de um bom tempo de descanso. E então as universidades federais do país entraram em greve e eu acabei tendo exatamente um ano de férias! Bom, então, depois de muita confusão e aflição, minhas aulas finalmente começaram no dia 03/12/12. No sábado os meus pais, meu irmão e meu namorado vieram me trazer para minha casa nova. Estou morando no apartamento da minha avó, com mais dois tios e uma priminha de quase 5 anos de idade. Eu vou ter um quarto só para mim aqui, mas por enquanto ainda não posso me estabilizar nele, pois fica ao lado do banheiro, e a parede está com um vazamento do cano do chuveiro. E o problema vem do cano do apartamento de cima, e só poderemos concertar o vazamento daqui quando o vizinho de cima concertar o dele, ou seja, não temos previsão de quando o meu novo quarto estará habitável. Enquanto isso eu estou dividindo quarto com minha avó e meu tio, e isso é um saco porque eu preciso do meu lugar. Mas vamos ser otimistas e acreditar que esse problema logo se resolverá, e vamos nos focar no que realmente é importante de tudo isso.
Bom, eu passei minha vida inteira me preparando para este momento, e eu me julgava madura para passar por tudo isso, mas na verdade eu não estava. E eu pensava que estaria super segura e não me importaria com o fato de estar saindo da casa dos meus pais, mas quando eles me deixaram aqui e foram se despedir para ir embora eu comecei a chorar. Não sei por que, mas chorei bastante na hora de abraçar eles. E principalmente quando fui me despedir de Bruno, nessa hora meu coração ficou em pedacinhos. E depois que eles foram eu continuei a chorar embalada pelas músicas de Adele que são perfeitas para estes momentos. E eu fiquei pensando... tudo o que eu sempre quis estava acontecendo, então porque eu estava tão triste? Por que eu estava chorando? Eu imaginei que seria algo fácil de lidar, que eu nem ia ligar pois a ansiedade para a faculdade falaria mais alto. Mas não. Por alguns minutos tudo o que eu desejava era voltar pra casa com eles e deixar a faculdade pra lá. Mas tive que me segurar e erguer a cabeça, pois no outro dia tudo iria mudar... seria o primeiro dia do resto da minha vida.


A faculdade! Como começar a falar deste lugar que eu tenho certeza que será a melhor e pior época da minha vida? Incrível! Bom, eu já conhecia grande parte da minha turma, pois durante o longo tempo de férias que tivemos nós criamos um grupo no facebook para irmos socializando antes das aulas começarem. A pessoa de quem eu mais me aproximei nesse meio tempo foi uma menina chamada Luza, que adivinhem, também é fã de RBD! hahaha. Mas enfim, cheguei lá no meu primeiro dia ao lado de Rafael, pois ele é uma das pessoas que esteve mais envolvida em todo este meu processo de ingresso na universidade e grande parte dos meus desejos era estar ali e dividir todo esse universo com ele. Enfim, me senti mais segura e cofiante sabendo que eu não estava sozinha neste novo mundo que eu estava descobrindo. E quando cheguei na minha sala, apesar de já conhecer a maior parte das pessoas foi como se não conhecesse. Todos estavam meio tímidos e tinha também muitas carinhas que eu nunca tinha visto. Fui conhecendo todos aos poucos e estou naquela fase de adorar todo mundo. Todos os alunos, todos os professores, todos os monitores... enfim todas as pessoas com quem eu tive contato de lá até agora pareceram serem legais e interessantes. Não teve ninguém pra eu dizer que não fui com a cara. Até mesmo a professora de sociologia! HAHAHA. E sobre as cadeiras que eu estou pagando, são sete ao total! Sim, sete cadeiras obrigatórias no primeiro período!!! Introdução à psicologia, psicologia diferencial, psicologia genética, genética humana, neuroanatomia, fundamentos da sociologia e introdução à filosofia. Até o momento eu estou adorando todas, com exceção de neuroanatomia porque tenho que decorar cada nomezinho chato e estranho dos ossos do crânio e medula espinal. Mas há quem diga que quando começarmos a mexer em cadáveres a matéria vai ficar muito interessante - eu duvido bastante disso. Não consegui definir ainda minha cadeira preferida deste período, todas pareceram ser ótimas, estou estudando tudo aquilo que eu sempre adorei. Claro que é muita coisa pra ler, mas como disse Rafael os assuntos são tão interessantes que você lê as fichas por interesse, e não por obrigação.
E agora entra a minha observação sobre este mundo novo... bom, não me pareceu nada novo na verdade porque meu namorado e meu melhor amigo já estudavam na UFPE e já tinham me contado todas as coisas novas que eu iria ver esta semana. Mas mesmo assim, eu passei por experiências bem malucas e até um pouco desesperadoras esta semana... como pegar dois ônibus errados na volta pra casa e ir parar em um lugar totalmente distante do meu destino, perder um livro da biblioteca e ficar desesperada até encontrar e até mesmo me perder dentro do campus, que é enorme e deserto, e ficar com medo de ser estuprada a cada passo que dava. E em meio a tudo isso eu como futura psicologa me pegava obsersando observando os comportamentos - meus e das outras pessoas. Principalmente das pessoas que eu encontro na parada em que espero o ônibus para voltar para casa. Acontece que eu estudo no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), e bem ao lado do meu prédio fica o Centro de Artes e Comunicações (CAC), ou seja, as pessoas mais bizarras de toda a universidade esperam o ônibus na mesma parada que eu. E quando eu digo bizarras é desde gente com tatuagens no rosto, cabelos coloridos e milhões de piercings até outras pessoas que andam parecendo mendigos. Sandálias de couro, calças e blusas largonas, cabelos em rastafari ou totalmente soltos ao vento no estilo hippie. Acreditem ou não, vi até um homem descalço! Mas não sei se estava assim porque realmente adotava esse estilo de vida ou porque o chinelo tinha torado ou algo do tipo. Ao lado dos prédios sempre tem umas feirinhas de artesanatos, e eu vejo lá um monte de gente com o estilo hippie alternativo e meio mendigo e fico me perguntando "perai, esse ai é aluno ou vendedor de artesanato?". Sei que parece uma visão preconceituosa, mas poxa, eu cresci no interior e lá essas coisas não existem. Uma criancinha do interior que passasse por uma pessoa assim na rua iria ficar com medo. E ao contrário da maioria das pessoas de lá, eu não os olho discriminando. Os olho com curiosidade mesmo, porque realmente nunca havia visto pessoas assim pessoalmente. E até admiro o estilo de alguns, ou melhor, de quase todos. Durante essa semana eu fui para a faculdade toda arrumada, me inspirando nas universitárias que eu costumava ver em Caruaru, que iam todas maquiadas e com roupas arrumadinhas e tal... Separei as melhores roupas do meu guarda roupa pra trazer pra cá, mas chego lá e me deparo com todo mundo no estilo largadão e penso "não tenho roupa pra ir pra faculdade"... fico até me sentindo um ET em meio a todas essas pessoas que, de onde eu vim, seriam consideradas os ETs. E eu acho tudo isso tão interessante e tão legal e tão curioso... acho que alguns até estão me achando uma maníaca por ficar o tempo inteiro observando quando alguém passa. E eu não sei ser nada discreta, acabo virando a cabeça e seguindo a pessoa com o olhar mesmo. Mas eles que se acostumem, pois eu sou uma psicóloga em formação e é meu dever observar as pessoas mesmo. Só preciso aprender a fazer isso de maneira mais discreta né...
Estou ansiosa para minha próxima semana de aula, para conhecer novas pessoas e novos estilos e novos pontos de vista da psicologia. Estou ansiosa para viver inúmeras outras experiencias universitárias que eu ainda não vivi - e não estou falando da vida loka com drogas lícitas e ilícitas, pois eu já tenho um conceito bem formado sobre tudo isso e não pretendo chegar nem perto dessas coisas. Mas ainda existem tantas outras coisas nesse universo maluco pra eu descobrir... e posso ir com calma, pois ainda tenho 5 anos para isto.

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2 comentários:

  1. Adorei esse post, flor! Que bom que as suas aulas finalmente começaram! Parabéns por ter passado na federal, aposto que a mudança toda deve estar sendo muito excitante! Espero que o problema do vazamento se resolva rápido.. Achei o máximo essa ideia do pessoal ter criado um grupo para a turma antes das aulas começarem, assim todo mundo já fica mais enturmado!
    Beijinhos e tudo de bom!!

    Am
    http://www.vinteepoucos.com.br/

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  2. que felicidade hein ? parabéns pelo seu esforço e pela sua conquista . fico muito feliz quando vejo pessoas realizando sonhos .adorei o post .beijos flor !!!

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