segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012


Sempre quando vai chegando perto dos últimos dias de dezembro eu entro neste espírito de pensar em tudo o que eu fiz de bom neste ano, e também o que fiz de ruim, para decidir como será o ano seguinte. Poxa, fazia tanto tempo que eu estava esperando ansiosa por 2012... não por ser o “fim do mundo”, mas porque seria um ano cheio de mudanças pra mim. E realmente foi. Não chegou nem perto do turbilhão de emoções que foi 2011, onde eu tive a pressão do vestibular, a tristeza de ter que deixar a escola e me separar dos meus amigos, e também o fim de um namoro de 3 anos que é claro, me deixou bem abalada. Comparado a 2011 este ano foi até bem calminho, se você levar em consideração que eu ficava chorando o tempo inteiro e sempre sentindo uma angústia dentro de mim. Mas uma coisa engraçada aconteceu... na verdade para mim 2011 não terminou na noite de réveillon, ele se perdurou até o dia 14 de janeiro. Acontece que, como eu disse, nos últimos dias do ano eu gosto de planejar cada detalhe do que está por vir, mas em 2011 eu não podia fazer isso porque eu estava esperando o resultado do vestibular, e todo o meu 2012 dependeria dele! Se eu não passasse eu teria que procurar cursinhos, fazer horários de estudos, me disciplinar, chorar muito com toda a pressão novamente... E se eu passasse... Ah! Eu teria que me mudar pra Recife, eu iria ingressar na universidade que eu sempre sonhei, iria conhecer pessoas novas, iria conhecer todo um mundo novo, teria que mudar minha rotina e meus estilos de vida... Enfim, dependendo do resultado que aparecesse no listão o meu ano de 2012 seria totalmente diferente, e chegar ao réveillon sem ter uma certeza de o que seria da minha vida dali pra frente é totalmente frustrante, assustador. Eu tinha a sensação de que não tinha controle algum sobre a minha própria vida. É tão assustador que eu rompi o ano chorando... de medo. Mas então, depois de mais 14 dias de angústia finalmente saiu o resultado: eu fui aprovada no vestibular de psicologia da UFPE. E foi só nesse dia que 2012 realmente começou pra mim.


Raspai minha sobrancelha e usei band-eid da Barbie. Nunca me senti tão feliz e aliviada na minha vida. Vi meus pais orgulhosos de mim. Vi meus amigos orgulhosos de mim. Tive que ir fazer a matrícula da faculdade lá em Recife e foi muito excitante entrar pela primeira vez naquele mundo totalmente diferente do que eu estava acostumava. Depois disso foi só relaxar... Porque eu coloquei a segunda entrada como preferência na hora do vestibular, para ai ter 6 meses de descanso depois de um ano tão pesado e desgastante como foi o meu 2011. E ai a universidade entrou em greve e os meus 6 meses de férias foram estendidos para exatamente 1 ano. E durante esse tempo de férias prolongadas eu fiquei todos os dias – o dia todo – de pijama, só levantava da cama – e do computador – pra ir comer ou ir no banheiro. Não viajei, não saí de casa, não fiz nada de cultural ou proveitoso, fiquei apenas assistindo séries atrás de séries. Mas eu fiz coisas proveitosas durante esse período também.
Em janeiro eu fui para o Bote Fé Recife, um evento para acolher na cidade a Cruz da Jornada Mundial da Juventude. Foi uma aventura que começou de meio dia e terminou depois da meia noite aonde eu incrivelmente tive pique para acompanhar tudo (quilômetros de caminhada a pé e no sol quente, e depois pular em shows de bandas católicas) em forma de agradecimento pela aprovação no vestibular.
Em fevereiro eu fui pra um retiro de carnaval incrível na Comunidade da Restauração em Caruaru.


Em março eu comecei a namorar com o homem mais perfeito e utópico do mundo, e futuramente vou me casar com ele, escrevam isso.
No comecinho de abril minha avó teve um sério problema em sua mão e passou quase um mês internada no hospital, e eu fiquei lá cuidando dela.
Em maio eu fiz 18 anos, abandonei a menoridade e me tornei uma adulta responsável e blá blá blá. Ou seja, arrumei um emprego! Trabalhei como redatora na empresa Ihaa Networks por 7 meses, até que fui obrigada a sair quando as aulas começaram.


Em junho eu vi mais uma vez o meu grande ídolo Christian Chávez! Passei vários minutos conversando com ele, tirei uma foto e ainda assisti o show mais incrível e lindo e emocionante de todos.
Em julho eu dancei em uma quadrilha da igreja com meu namorado. Foi a primeira quadrilha dele e por isso foi muito legal.
Não consigo lembrar de nada interessante o suficiente para falar aqui sobre agosto ou setembro.


Em outubro eu organizei o primeiro encontro do meu fã clube de Christopher, o Uckers Recife. Nós fizemos uma festinha pra o aniversário dele, com direito a bolo e brigadeiro Somos e até um sorteio do CD dele. E foi uma experiência muito legal porque eu interajo com os fãs de RBD – e de Christopher – de Recife há anos mas nunca havia participado de um encontro. E neste mesmo fim de semana eu encontrei pela primeira vez com os meus futuros colegas de classe. Conheci Júnior, Danilo, Marília, Mariana e Fabíola.


Em novembro teve a comemoração do Dia Mundial do RBD lá em Recife e eu estava na comissão de organização... E FOI SIMPLESMENTE INCRÍVEL! Eu fui a apresentadora do evento, revi um milhão de amigos que só vejo nessas ocasiões, tive muito estresse mas no final tudo foi recompensado porque deu tudo certo e o evento foi lindo e inesquecível e todos já querem um igual para o ano que vem. Estou tão feliz com isso!


E finalmente dezembro... Me mudei para Recife (finalmente), comecei minhas aulas na faculdade, conheci pessoas, fiz amigos, aprendi a me virar sozinha, peguei o ônibus errado algumas vezes, aprendi a gostar da comida do RU, quase perdi um livro da biblioteca, e depois das três semanas de aula que tive eu já posso dizer que o curso é incrível, que eu estou completamente fascinada e ainda mais apaixonada por psicologia.

E para 2013? Eu ainda não parei exatamente para pensar como será meu próximo ano. Já sei que ele será de muitos estudos puxados na faculdade, onde eu quase não terei férias (resultado da greve). Sei também que em 2013 eu vou para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, e talvez eu vá para o Rock in Rio também. Mas eu queria mais que isso... queria planejar mais coisas... Vocês assistiram àquele programa que passou esses dias na televisão, “Como aproveitar o fim do mundo”? Eu não vi. Mas no dia do último episódio minha avó estava assistindo e eu estava sentada ao lado dela mexendo no notebook, e acabei achando interessante a abordagem do programa, e na última cena a garota gritou “Vamos aproveitar o fim do mundo” e então eu fiquei refletindo um pouco sobre isso. Aproveitar o fim do mundo. Fazer tudo o que você tem vontade de fazer antes que o mundo acabe. Viver intensamente. Eu não acredito nessas profecias de fim do mundo, mas porque não posso também aproveitar um ano como se realmente fosse o último? E então eu pensei em quantas coisas eu poderia ter feito durante minhas longas férias de 2012 se eu tivesse decidido aproveitar o fim do mundo. E se o mundo realmente tivesse acabado no dia 21 de dezembro eu teria morrido sem ter vivido inúmeras experiências que eu desejaria. Claro, algumas eu preciso de tempo e muito dinheiro, como por exemplo me casar e viajar para a Inglaterra. Mas outras são tão simples acessíveis, e eu só não fui atrás delas ainda por comodidade mesmo... Então eu decidi isso para o meu 2013: aproveitá-lo como se fosse o fim do mundo, de novo. Como se no dia 31 de dezembro realmente fosse haver uma chuva de meteoros ou um apocalipse zumbi. E afinal de contas o mundo pode não acabar, mas eu também posso morrer antes disso. Um acidente, um assassinato, uma doença... Eu não sei o dia que vou morrer. Pode ser daqui a 70 anos, mas também pode ser amanhã. E eu não quero ir embora sem ter vivido tudo o que eu desejava. Por isso eu quero também fazer este convite a você que teve saco de ler esse post gigante até o final e concorda com minha linha de pensamento:
Vamos aproveitar 2013 como se fosse o último ano de nossas vidas?

sábado, 8 de dezembro de 2012

Diário #26

Hoje está fazendo exatamente oito dias que eu me mudei para a capital do meu estado, Recife. Desde que eu tenho memória eu desejava um dia terminar o colégio, me mudar pra cá e estudar na Universidade Federal de Pernambuco. E tempo passou e eu lutei por meus objetivos, e em janeiro recebi a notícia de que eu havia sido aprovada no vestibular da UFPE para cursar psicologia. Nada poderia me deixar mais realizada... Mas enfim, eu escolhi segunda entrada (apesar da minha nota ter dado pra entrar na primeira tranquilamente) porque eu precisava de um bom tempo de descanso. E então as universidades federais do país entraram em greve e eu acabei tendo exatamente um ano de férias! Bom, então, depois de muita confusão e aflição, minhas aulas finalmente começaram no dia 03/12/12. No sábado os meus pais, meu irmão e meu namorado vieram me trazer para minha casa nova. Estou morando no apartamento da minha avó, com mais dois tios e uma priminha de quase 5 anos de idade. Eu vou ter um quarto só para mim aqui, mas por enquanto ainda não posso me estabilizar nele, pois fica ao lado do banheiro, e a parede está com um vazamento do cano do chuveiro. E o problema vem do cano do apartamento de cima, e só poderemos concertar o vazamento daqui quando o vizinho de cima concertar o dele, ou seja, não temos previsão de quando o meu novo quarto estará habitável. Enquanto isso eu estou dividindo quarto com minha avó e meu tio, e isso é um saco porque eu preciso do meu lugar. Mas vamos ser otimistas e acreditar que esse problema logo se resolverá, e vamos nos focar no que realmente é importante de tudo isso.
Bom, eu passei minha vida inteira me preparando para este momento, e eu me julgava madura para passar por tudo isso, mas na verdade eu não estava. E eu pensava que estaria super segura e não me importaria com o fato de estar saindo da casa dos meus pais, mas quando eles me deixaram aqui e foram se despedir para ir embora eu comecei a chorar. Não sei por que, mas chorei bastante na hora de abraçar eles. E principalmente quando fui me despedir de Bruno, nessa hora meu coração ficou em pedacinhos. E depois que eles foram eu continuei a chorar embalada pelas músicas de Adele que são perfeitas para estes momentos. E eu fiquei pensando... tudo o que eu sempre quis estava acontecendo, então porque eu estava tão triste? Por que eu estava chorando? Eu imaginei que seria algo fácil de lidar, que eu nem ia ligar pois a ansiedade para a faculdade falaria mais alto. Mas não. Por alguns minutos tudo o que eu desejava era voltar pra casa com eles e deixar a faculdade pra lá. Mas tive que me segurar e erguer a cabeça, pois no outro dia tudo iria mudar... seria o primeiro dia do resto da minha vida.


A faculdade! Como começar a falar deste lugar que eu tenho certeza que será a melhor e pior época da minha vida? Incrível! Bom, eu já conhecia grande parte da minha turma, pois durante o longo tempo de férias que tivemos nós criamos um grupo no facebook para irmos socializando antes das aulas começarem. A pessoa de quem eu mais me aproximei nesse meio tempo foi uma menina chamada Luza, que adivinhem, também é fã de RBD! hahaha. Mas enfim, cheguei lá no meu primeiro dia ao lado de Rafael, pois ele é uma das pessoas que esteve mais envolvida em todo este meu processo de ingresso na universidade e grande parte dos meus desejos era estar ali e dividir todo esse universo com ele. Enfim, me senti mais segura e cofiante sabendo que eu não estava sozinha neste novo mundo que eu estava descobrindo. E quando cheguei na minha sala, apesar de já conhecer a maior parte das pessoas foi como se não conhecesse. Todos estavam meio tímidos e tinha também muitas carinhas que eu nunca tinha visto. Fui conhecendo todos aos poucos e estou naquela fase de adorar todo mundo. Todos os alunos, todos os professores, todos os monitores... enfim todas as pessoas com quem eu tive contato de lá até agora pareceram serem legais e interessantes. Não teve ninguém pra eu dizer que não fui com a cara. Até mesmo a professora de sociologia! HAHAHA. E sobre as cadeiras que eu estou pagando, são sete ao total! Sim, sete cadeiras obrigatórias no primeiro período!!! Introdução à psicologia, psicologia diferencial, psicologia genética, genética humana, neuroanatomia, fundamentos da sociologia e introdução à filosofia. Até o momento eu estou adorando todas, com exceção de neuroanatomia porque tenho que decorar cada nomezinho chato e estranho dos ossos do crânio e medula espinal. Mas há quem diga que quando começarmos a mexer em cadáveres a matéria vai ficar muito interessante - eu duvido bastante disso. Não consegui definir ainda minha cadeira preferida deste período, todas pareceram ser ótimas, estou estudando tudo aquilo que eu sempre adorei. Claro que é muita coisa pra ler, mas como disse Rafael os assuntos são tão interessantes que você lê as fichas por interesse, e não por obrigação.
E agora entra a minha observação sobre este mundo novo... bom, não me pareceu nada novo na verdade porque meu namorado e meu melhor amigo já estudavam na UFPE e já tinham me contado todas as coisas novas que eu iria ver esta semana. Mas mesmo assim, eu passei por experiências bem malucas e até um pouco desesperadoras esta semana... como pegar dois ônibus errados na volta pra casa e ir parar em um lugar totalmente distante do meu destino, perder um livro da biblioteca e ficar desesperada até encontrar e até mesmo me perder dentro do campus, que é enorme e deserto, e ficar com medo de ser estuprada a cada passo que dava. E em meio a tudo isso eu como futura psicologa me pegava obsersando observando os comportamentos - meus e das outras pessoas. Principalmente das pessoas que eu encontro na parada em que espero o ônibus para voltar para casa. Acontece que eu estudo no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), e bem ao lado do meu prédio fica o Centro de Artes e Comunicações (CAC), ou seja, as pessoas mais bizarras de toda a universidade esperam o ônibus na mesma parada que eu. E quando eu digo bizarras é desde gente com tatuagens no rosto, cabelos coloridos e milhões de piercings até outras pessoas que andam parecendo mendigos. Sandálias de couro, calças e blusas largonas, cabelos em rastafari ou totalmente soltos ao vento no estilo hippie. Acreditem ou não, vi até um homem descalço! Mas não sei se estava assim porque realmente adotava esse estilo de vida ou porque o chinelo tinha torado ou algo do tipo. Ao lado dos prédios sempre tem umas feirinhas de artesanatos, e eu vejo lá um monte de gente com o estilo hippie alternativo e meio mendigo e fico me perguntando "perai, esse ai é aluno ou vendedor de artesanato?". Sei que parece uma visão preconceituosa, mas poxa, eu cresci no interior e lá essas coisas não existem. Uma criancinha do interior que passasse por uma pessoa assim na rua iria ficar com medo. E ao contrário da maioria das pessoas de lá, eu não os olho discriminando. Os olho com curiosidade mesmo, porque realmente nunca havia visto pessoas assim pessoalmente. E até admiro o estilo de alguns, ou melhor, de quase todos. Durante essa semana eu fui para a faculdade toda arrumada, me inspirando nas universitárias que eu costumava ver em Caruaru, que iam todas maquiadas e com roupas arrumadinhas e tal... Separei as melhores roupas do meu guarda roupa pra trazer pra cá, mas chego lá e me deparo com todo mundo no estilo largadão e penso "não tenho roupa pra ir pra faculdade"... fico até me sentindo um ET em meio a todas essas pessoas que, de onde eu vim, seriam consideradas os ETs. E eu acho tudo isso tão interessante e tão legal e tão curioso... acho que alguns até estão me achando uma maníaca por ficar o tempo inteiro observando quando alguém passa. E eu não sei ser nada discreta, acabo virando a cabeça e seguindo a pessoa com o olhar mesmo. Mas eles que se acostumem, pois eu sou uma psicóloga em formação e é meu dever observar as pessoas mesmo. Só preciso aprender a fazer isso de maneira mais discreta né...
Estou ansiosa para minha próxima semana de aula, para conhecer novas pessoas e novos estilos e novos pontos de vista da psicologia. Estou ansiosa para viver inúmeras outras experiencias universitárias que eu ainda não vivi - e não estou falando da vida loka com drogas lícitas e ilícitas, pois eu já tenho um conceito bem formado sobre tudo isso e não pretendo chegar nem perto dessas coisas. Mas ainda existem tantas outras coisas nesse universo maluco pra eu descobrir... e posso ir com calma, pois ainda tenho 5 anos para isto.