terça-feira, 20 de setembro de 2016

Promessas e mudanças


Certa vez, durante a adolescência, falei "eu nunca vou trocar minhas amigas por um namorado". Até que conheci um amor avassalador, desses que nos faz mergulhar de cabeça sem olhar pra trás, sem nem perceber o que estamos abrindo mão nas nossas vidas. Quando me dei conta, eu estava inventando mentiras para minhas melhores amigas, de que estava doente ou estava ocupada, para não precisar diminuir a quantidade de horas do fim de semana ao lado do meu namorado a fim de encontrar com elas. Cada vez que eu fazia isso a consciência ficava pesada e eu me sentia muito mal, sabia que além de estar traindo a elas eu estava traindo a mim mesma e minhas crenças e promessas. Mas, naquele momento, era aquilo que eu queria viver, então segui em frente. Esse mesmo amor avassalador me fez quebrar outra promessa que fiz a mim mesma na adolescência, que foi a de nunca achar que minha vida perdeu o sentido porque o meu namoro acabou. Foi bem difícil e eu precisei de vários meses de terapia para me recuperar e voltar a enxergar um sentido para o viver. Respirei fundo. Passou.

Hoje um dos meus melhores amigos disse acreditar que quando eu começar a namorar de novo nossa relação irá mudar. Eu respondi que não quero que isso aconteça, e que me esforçarei muito para continuarmos tão amigos e íntimos como somos hoje. Ele então prometeu que se fosse ele que começasse a namorar, nada mudaria. Eu não consegui prometer. Minha memória foi direto para o dia em que eu estava no quarto das minhas melhores amigas, num domingo a tarde de 2009 ou 2010, e prometi que nunca trocaria elas por nenhum namorado. O coração apertou. Não sou de fazer promessas vazias. Quebrar minha palavra é algo que me machuca e me persegue pro resto da vida. Eu só consigo prometer algo que eu tenha certeza que conseguirei cumprir, e se aprendi algo com o relacionamento passado, foi que não posso prometer não mudar por um relacionamento.

Acredito - e sempre defendi isso - que o ser humano é altamente mutável. Estamos mudando todos os dias, o tempo inteiro. A Anna de hoje é totalmente diferente da Anna de 2009 que fez aquelas promessas. E essas mudanças são produzidas pelas situações que vivemos, e pelas pessoas que encontramos e deixamos de encontrar na vida. Meu amigo perguntou se eu não conseguia prometer porque tinha medo de acabar mudando pelo meu namorado, por mim, ou por estar namorando. Respondi que talvez por um pouco de cada coisa, ou quem sabe por nada disso. Pessoas mudam quando estão em um relacionamento, e isso é inevitável, impossível de controlar. É, inclusive, uma das coisas mais bonitas que vejo num relacionamento. Duas pessoas que se encontram e vão mudando, se adaptando ao outro, para evoluírem juntos como pessoas. 

Não quero que as coisas mudem entre nós, amigo. Mas pode ser que um dia elas simplesmente mudem. Ou, talvez um dia eu deseje que elas mudem. Ou você deseje. A única coisa que posso prometer no momento é que no que depender de mim, irei fazer tudo o que for possível para manter nosso laço tão estreito quanto tem sido nos últimos tempos.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Intensidade



Meu amor é intenso e o seu regrado.
Acredito ser merecedora de um pouco mais que sua dose diária de atenção.
Talvez eu deseje mais do que você possa me dar, 
Mas acontece que eu não consigo me dar pouco, me dar às vezes. 
Entenda, minha constância é a intensidade. 
Culpe minha vênus em câncer, mas compreenda minha necessidade de mais. 
De troca de fluidos mas também de sentimentos, 
De falar, de ouvir, de estar junto, de me sentir junto. 
Se você não quer minha intensidade, então, por favor, não me queira. 
Porque me pedir para ser menos é me roubar de mim mesma. 
E não quero isso.
Eu sou muito, e eu sou minha. 
Então te peço: seja muito comigo, ou não seja meu.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Namoro


Não digo que não,
mas também não digo que sim
Se pudesse explicar o que sinto
Se pudesse dizer que estou morrendo
e que não aguento mais
Não sabe o quanto te amo mas, às vezes,
é mais forte o medo, é a sombra em você
que me impede de seguir e me confunde
ao estar ao seu lado
Diga que me ama como eu te amo
Diga que não haverá mais problemas
Diga como é que posso, diga como é que reparo
Este sentimento que me traz rodando,
Não tem pressa, eu já sei
Um dia vou saber, não sei o que
há com você, mas eu me apaixonei...
É o seu jeito de ser ou sua forma de olhar
Ou será que mata com seu sorriso?
É a marca dos seus beijos que me levam ao céu
É você quem me faz ficar nervosa
É você quem não me deixa pensar,
quem, sem querer,
alterou as batidas do meu coração...
É que eu ainda não tinha vivido
o que você me fez sentir
Não sei o que vai acontecer
mas não posso mais suportar...
Essa espera me mata,
não sei se devo me deter ou não parar
Se o que você sente é de verdade,
Não me deixe desistir

Dulce María - Dulce Amargo

sábado, 7 de maio de 2016

O que queremos do nós?


Meu terapeuta sempre me pergunta o que eu sinto por você, como eu me sinto em relação a você, e minha resposta é sempre "não sei". Meus sentimentos sempre foram confusos, mas quando envolvem você a coisa se intensifica muito - a ponto de eu nunca conseguir entender ou distinguir o que sinto. Dar nome ao que tá apertando meu peito.

Naquele dia que eu te confessei que havia me apaixonado por você senti que estava tirando um enorme peso das costas. Que, depois de ser sincera com você e comigo mesma, seguir em frente seria mais fácil. Mas é tão difícil desapegar e afastar do coração esses sentimentos confusos quando você mesmo faz questão de ficar trazendo eles de volta.

Você cobra carinho, cobra atenção. Sente ciúme. Diz que quer apenas minha amizade. Faz showzinho quando me vê flertando com alguém. Vem me contar dos seus casos com outras. Quando eu falo de como meu ex me deixou com o coração partido, fico no vácuo. Depois ainda tenho que escutar que você é o único que "se esforça" para fazer essa amizade dar certo.

Me desculpa, mas pra mim isso não parece amizade. Isso é um relacionamento confuso e conturbado de duas pessoas que se gostam muito, mas não é amizade. Suas cobranças, minhas cobranças, não são simples cobranças de amigos. Sempre que conto nossas discussões pra algum amigo ou amiga escuto um "eu não entendo o que ele quer de você". Respondo que também não entendo. Acho que preciso criar coragem de te perguntar, afinal, o que é que você quer de mim. Mas, antes, preciso me perguntar o que eu quero de você.

Sempre achei que queria sua amizade, que estava lutando por isso, mas uma amiga me falou num momento de sofrimento "Você gosta dele! Você não quer só a amizade dele. Continuar nesse joguinho é dar um tiro no pé". Meu primeiro impulso foi contradizê-la, afinal, já tenho em meu computador uma pasta chamada "textões" com alguns modelos prontos sobre a temática "porque eu não consigo abrir mão da amizade dele". Sim, vários argumentos bem elaborados inclusive. Mas ai eu parei pra pensar... Sabe que faz sentido? Tudo isso que ela disse, faz sentido sim. Sempre neguei essa possibilidade a mim mesma, mas ouvir dela me fez ter um insight.

Não sei exatamente o que eu quero de você. Sei apenas que eu quero você. Não necessariamente dessa forma que você está pensando. Eu quero você na minha vida, quero você perto de mim. Quero rir com você, trocar textão com você, te falar dos meus problemas e receber suas palavras de conforto e ajuda. Quero dançar cumbia com você, te abraçar, ouvir tua risada. Quero saber de você, dos seus problemas, te ajudar. Quero me sentir íntima de você. Saber seus segredos, seus sentimentos, suas alegrias, tristezas e aperreios do dia-a-dia. Quero receber memes seguidos de "bom dia, e uma semana linda pra você". Sim, quero tudo isso que já temos. Todavia, ainda não consigo identificar se eu querer tudo isso faz eu querer você como amigo ou como homem. Se a gente vai se beijar ou não acho que não importa muito, afinal. Um envolvimento físico seria legal sim, mas nada supera nosso envolvimento emocional. A pergunta é: tem como existir uma coisa sem a outra? Estamos aptos a conseguir isso? Ou devemos desistir?

Mas, então, preciso saber: o que você quer de mim? Aliás, você já parou para pensar o que é que você quer de mim? Perde uns minutinhos aí pensando! Se resolve, que isso facilita nossa vida. Mas seja sincero, não comigo mas com você mesmo. Porque a sensação que eu sempre tenho é de que você tem sentimentos por mim, sentimentos que vão além da amizade. Mas você não se permite isso, não assume para você mesmo essa verdade. Tenta enganar não só a você mas a mim também. E isso não tá dando mais, sabe? Ta causando sofrimento em nós dois. Te adoro, mas, de fato, não dá pra continuarmos assim. Temos que decidir, por fim, o que queremos do nós.

domingo, 1 de maio de 2016

Táxi



O mundo girava e as paredes pareciam estar se aproximando, se fechando, diminuindo o espaço do salão da boate. As mesmas paredes pareciam estar apertando o coração, sufocando-o. Essa foi a sensação que ela teve no momento em que viu eles dois juntos. Virou de costas na mesma hora, pois não queria ver aquilo, mas não adiantou. Era como se ela tivesse olhos na parte de trás da cabeça, porque o tempo inteiro em sua mente havia uma imagem nítida de clara de um beijo acontecendo, um beijo que ela nem se quer chegou a ver de verdade. Ainda bem que não!

Ela não esperava reagir dessa maneira, sabe? Quando seu melhor amigo a chamou pra aquela festa ela ficou receosa, é verdade. Sabia que sua antiga paixão estaria presente com a nova crush dele, e teve medo de como reagiria ao vê-los juntos. Mas então ela refletiu e chegou à conclusão de que poderia sim não se importar tanto, afinal, não seria uma surpresa - ela já sabia que eles estavam juntos, e até que estava lidando bem com essa informação. Então decidiu ir, na esperança de não ser atingida, de voltar para casa inteira. Mero engano, boba.

Ela não voltou pra casa inteira. Ver os dois entrarem juntos no mesmo táxi na hora de ir embora foi equivalente a levar um tiro. O coração dela parou de bater, de tão apertado que ficou. Lembrou de quando ela mesma entrou com ele num táxi. Lembrou de onde eles foram. O que eles fizeram. A lágrima começou a chegar na extremidade do olho e ameaçar se jogar precipício abaixo. Mas ela precisou segurá-la. Ao invés disso, teve que sorrir e acenar um "tchau", afinal, passou a noite inteira conversando com eles dois, como se fossem grandes amigos, como se estivesse tudo bem, como se aquilo não fosse estranho. Como se ela não estivesse machucada.

Chegou em casa, correu pra cama, se deitou e pensou "agora sim eu posso chorar". Ficou esperando. Nenhuma lágrima apareceu. Ela então adormeceu e sonhou com ele. Com toques, carinhos. Alguns vilões queriam pegá-la e ele a pôs dentro de seus braços e disse "não se preocupe, vou te proteger". Ela estava feliz. E ai acordou e lembrou que naquele momento era a outra que estava sendo protegida pelos braços do seu amado. Uma única lágrima escorreu de seu olho e ela pensou "até quando vou ficar sofrendo por você?". Virou-se na cama e tentou voltar a dormir, colocando na cabeça que foi uma noite difícil sim, mas um passo importante. Que a partir dali seria bem mais fácil finalmente esquecê-lo e seguir em frente. Afinal, dores precisam ser sentidas para que nossas feridas mais profundas cicatrizem, não é mesmo?